Ícone da Semana – David Ricardo

 

Seu nome era David Ricardo e ele teve uma peculiaridade entre os filósofos, ele foi um dos raros casos em que uma pessoa atingiu grande sucesso na carreira e fama duradoura. Depois de ser expulso de casa por sua família após se casar fora da fé judáica, Ricardo ficou rico como corretor de ações e empréstimos, tanto que depois de sua morte, seu patrimônio foi avaliado em US$100 milhões em dólares nos dias de hoje. Após ler A Riqueza das Nações de Adam Smith, Ricardo começou a se interessar por economia. Escreveu seu primeiro artigo sobre economia aos 37 anos, e foi economista profissional nos anos que se seguiram.Ricardo foi um grande contribuinte para a economia, um homem muito rico e que sabia administrar suas riquezas, um homem do liberalismo econômico, enfim um Ícone da História.

 

Ele disse:

-“O capital é a parte da riqueza de um país empregada na produção, e consiste em alimento, vestuário, instru­mentos profissionais, matérias-primas, maquinaria, etc, necessários para a execução do trabalho.”

 

 

Ricardo despertou a atenção dos economistas com a controvérsia do bulionismo. Em 1809, ele escreveu que a inflação na Inglaterra era resultado da propensão do Banco da Inglaterra a emitir excesso de papel-moeda. Em resumo, Ricardo esteve entre os primeiros adeptos da teoria quantitativa do dinheiro, ou do que é hoje conhecido como monetarismo.

Em seu Essay on the Influence of a Low Price of Corn on the Profits of Stock [Ensaio sobre a influência de um preço baixo do milho sobre os lucros com ações] (1815), Ricardo articulou o que veio a ser conhecido como a lei da produtividade marginal decrescente. Uma das leis mais famosas da economia, afirma que conforme mais e mais recursos são combinados na produção com um recurso fixo — por exemplo, conforme mais mão-de-obra e maquinário são usados em uma quantidade fixa de terras — os acréscimos ao resultado vão diminuir.

Ricardo também se opõe ao protecionismo das Leis do Milho, que restringiam a importação de trigo. Na sua defesa do livre comércio, Ricardo formulou a idéia do custo comparativo, hoje conhecida como vantagem comparativa — uma idéia muito sutil que é o principal fundamento da crença no livre mercado pela maior parte dos economistas hoje. A idéia é a seguinte: um país que compra os produtos que pode obter a um custo mais baixo se beneficia mais do que se os produzisse ele próprio.

“Digamos, por exemplo, que a Pobrelândia produz uma garrafa de vinho com cinco horas de trabalho, e uma fornada de pão com dez horas. Os trabalhadores de Ricolândia, por outro lado, são mais produtivos. Conseguem produzir uma garrafa de vinho com três horas de trabalho, e uma fornada de pão com uma hora. Pode-se imaginar que Ricolândia, por produzir ambos os bens em menos tempo de trabalho, não se beneficia em nada com o comércio.

Não é o caso. O custo da produção de vinho da Pobrelândia, embora mais alto do que a de Ricolândia em termos de horas de trabalho, é mais baixo em termos de pão. Para cada garrafa produzida, Pobrelândia renuncia a meia fornada de pão, enquanto Ricolândia tem que abrir mão de três fornadas para produzir uma garrafa de vinho. Portanto, Pobrelândia tem a vantagem comparativa na produção de vinho. De modo semelhante, para cada fornada de pão que produz, Pobrelândia abre mão de duas garrafas de vinho, mas Ricolândia, de apenas um terço de garrafa. Portanto, Ricolândia tem a vantagem comparativa na produção de pão. Se os dois países trocarem pão e vinho a unidade por unidade, Pobrelândia pode se especializar na produção de vinho e comerciar parte dele para Ricolândia, que pode então se especializar na produção de pão. Tanto Pobrelândia quanto Ricolândia estarão em situação melhor do que se não comerciassem. Ao realocar, digamos, dez horas de trabalho antes gastas na produção de pão, Pobrelândia abre mão da fornada que esse trabalho poderia ter produzido. Mas a mão-de-obra realocada produz duas garrafas de vinho, que podem então ser trocadas por duas fornadas de pão. Resultado: o comércio rende para Pobrelândia uma fornada adicional. E Pobrelândia não está lucrando às custas de Ricolândia. Ricolândia também se beneficia, ou não comerciaria. Ao realocar três horas antes gastas na produção de vinho, Ricolândia diminuiu a produção da bebida, mas aumenta a produção de mão em três fornadas. Duas dessas fornadas então são trocadas por duas garrafas de vinho de Ricolândia. Ricolândia tem uma garrafa a mais do que antes, além de mais uma fornada de pão.”

Esses ganhos surgem, como observou Ricardo, porque cada país se especializa na produção do bem cujo custo comparativo é menor.

Tendo produzido um século antes que Paul Samuelson e outros economistas modernos popularizassem o uso de equações, Ricardo é ainda hoje admirado por sua impressionante capacidade de chegar a conclusões complexas sem nenhuma das ferramentas matemáticas hoje consideradas essenciais. Como escreveu o economista David Friedman em seu livro-texto de 1990, Price Theory [Teoria do Preço], “O economista moderno, ao ler o Principles de Ricardo, se sente como um membro de uma expedição no Monte Everest se sentiria se, ao chegar ao topo da montanha, encontrasse um andarilho usando camiseta e tênis.”

Uma das principais contribuições de Ricardo, atingida sem ferramental matemático, é sua teoria de aluguéis. Inspirando-se em Thomas Malthus, com quem Ricardo tinha uma relação próxima e, freqüentemente, discordâncias radicais, Ricardo explicou que, conforme se cultivavam mais terras, os fazendeiros eventualmente chegariam às terras menos produtivas. Mas como um alqueire de milho da terra mais produtiva é vendido pelo mesmo preço que um alqueire da terra mais produtiva, rendeiros se disporiam a pagar mais para alugar a terra mais produtiva. Resultado: os donos das terras, e não os rendeiros, são os que se beneficiam das terras mais produtivas. Essa descoberta resistiu ao teste do tempo.

Economistas ainda hoje usam o raciocínio de Ricardo para explicar por que os auxílios de preços agrícolas ajudam não aos fazendeiros, mas aos donos das terras. Usa-se também um raciocínio similar para explicar por que os beneficiários das leis que restringem o número de táxis não são os motoristas de táxi, mas os donos do conjunto finito dos alvarás que existiam quando se impôs a restrição.

 

Fonte: ordemlivre.org   e   quemdisse.com.br

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s