A chegada dos imigrantes ao Brasil


Os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil para trabalhar em sistema de parceria nas lavouras de café.

No Segundo Reinado, percebemos que as estruturas das relações de trabalho no Brasil foram sofrendo importantes transformações. Mediante a insistente pressão das autoridades britânicas, o governo imperial foi incorporando ações que impediam a expansão do trabalho escravo. Já com a expressa proibição do tráfico negreiro, em 1850, os grandes cafeicultores foram tendo enormes dificuldades para adquirir mão de obra capaz de suprir a sua demanda.

Uma das primeiras alternativas lançadas para tal impasse foi o chamado tráfico interprovincial de escravos. Nesse caso, os grandes fazendeiros da região sudeste adquiriam os escravos ociosos localizados na região nordeste. A disponibilidade dessa mão de obra ocorreu devido à crise agrícola que atingiu os produtores nordestinos, principalmente pela diminuição do preço obtido na comercialização da cana de açúcar, do algodão e do fumo.

Segundo algumas estimativas, essa prática foi responsável pelo deslocamento de aproximadamente 200 mil escravos pelo território brasileiro.

Contudo, essa solução logo se mostrou ineficaz com a crescente expansão das lavouras de café. Em pouco tempo, a grande demanda por escravos acabou os transformando em uma mercadoria de alto valor que encurtava o lucro dos cafeicultores. Dessa forma, o emprego da mão de obra imigrante europeia se transformou na alternativa mais barata e viável.

O primeiro a empregar a mão de obra assalariada dos europeus foi o senador e fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro. Entre os anos de 1847 e 1857, ele trouxe várias famílias de origem portuguesa, alemã, suíça e belga para trabalharem em sistema de parceira.

Nesse tipo de acordo, o proprietário de terras pagava todas as despesas com a viagem e a acomodação dos empregados. Ao chegar aqui, o colono estrangeiro trabalhava até saldar suas dívidas e participava nos lucros obtidos na plantação.

Em pouco tempo outros fazendeiros copiaram essa mesma estratégia na obtenção de mão de obra. Vale destacar que, acostumados com a exploração dos escravos, muitos cafeicultores impuseram condições de trabalho desvantajosas aos colonos.

A partir da década de 1870, a entrada de trabalhadores europeus no Brasil passou a ser oficialmente organizada pelo governo. Aproveitando das conturbações políticas no Velho Mundo, o império propagandeava as oportunidades de trabalho existentes no Brasil.

Além de atender uma demanda econômica, a entrada de imigrantes no Brasil integrava um ambicioso projeto de engenharia social dos intelectuais dessa época. Tomando a Europa como um grande modelo a ser copiado, muitos pensadores e políticos acreditavam que a imigração abriria portas para o gradual “branqueamento” da população brasileira.

Nesse sentido, projetava-se a expectativa racista de diminuir a “negativa” presença de negros e mulatos na formação do povo brasileiro.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Invenção da Semana – O Relógio

Relógio de Sol, de bolso, fabricado na França no século XVIII

 

 

A invenção desta semana é uma das mais importantes da história da humanidade, foi a medida inventada para contar o tempo, implantada principalmente durante a Revolução Industrial, hoje é um acessório indispensável para qualquer pessoa ou ambiente, “Tempo é dinheiro” e a invenção desta semana é o relógio.

 

 

 

No começo, a história do relógio se confunde com a do calendário, ambas remontam a uma época em que ainda não se sabia ler nem escrever. Hoje, todos sabem que relógio é o nome que se dá a qualquer instrumento destinado à medição do tempo, mas a maioria desconhece como o homem conseguiu descobrir um sistema de medida das horas, um processo que durou séculos. Acredita-se que o tempo começou a ser medido há cerca de 5000 anos.

Nossos ancestrais mais primitivos só tinham conhecimento do dia e da noite, ignorando completamente o correr das horas e suas divisões. Sabe-se que passaram a observar os movimentos do sol, da lua e das marés, baseando assim sua cronologia. Primitivamente, conforme nos diz a história, os primeiros relógios construídos e usados pelo homem foram os gnômons. Consistia em um obelisco que, iluminado pelo sol ou pela lua, projetava uma sombra, que se movia com o passar das horas e entre o seu ponto inicial e seu ponto final, havia um espaço que o homem fracionou, criando a divisão do tempo.
Se os gregos antigos achavam que as horas eram divindades mitológicas simbolizando as partes do dia, os babilônios e os chineses foram os primeiros a dividirem o dia em horas, só que, para eles, o dia possuía 12 horas, cada uma delas equivalente e 2 horas atuais.

O Relógio do Sol

Quadrante solar construído em 1890 na Holanda

“Amaldiçoem os deuses o homem que descobriu como diferenciar as horas; também aquele que neste lugar pôs o relógio do sol que repartiu os meus dias em bocadinhos”. (Autor desconhecido)
Foram os egípcios e parte dos povos da Ásia ocidental quem primeiro dividiram o dia em 24 horas. O mais antigo instrumento de marcar as horas foi o “relógio do sol” que, acredita-se, foi inventado pelos babilônios, e tinha um funcionamento simples: uma haste vertical se projetava do centro de uma superfície circular, projetando uma sombra do sol para indicar a hora. Embora seja certo que o relógio solar tenha existido em época mais distante, como no Egito há 1500 anos a.C., a história registra o seu aparecimento na Judéia, pelo ano 600 a.C., quando o Rei Acaz mostrou a seus súditos um desses relógios. Anaximandro de Mileto em 380 a.C., aperfeiçoou este relógio criando o “quadrante solar”. O mais antigo relógio de sol existente está exposto no Museu de Berlim, acredita-se que pertenceu ao faraó Tutmés III do Egito (1504-1450 a.C.). Na Grécia, Vitrúvio registrou 13 relógios de sol diferentes no século I a.C. Somente no século XVI este instrumento pôde ser calibrado, dando horas verdadeiras, operação que exigia conhecimentos combinados de geografia, astronomia, matemática e mecânica. O problema ocorria nos dias de chuva ou nublados, quando não se conseguia ver as horas.

Modelo de ampulheta

Nos castelos e palácios da Europa antiga, usava-se o “relógio de fogo”, que consistia em uma corda com nós que queimavam a intervalos regulares. Outra forma de contar o tempo era através das velas marcadas, sistema usado pela nobreza européia; seis velas de 15 cm com espessura idêntica eram divididas com uma escala, e no seu conjunto demoravam 24 horas a consumir. Outra maneira de marcar as horas era usando o azeite colocado em recipiente de cristal ou vidro que, ao queimar, podia-se ver o líquido baixando de nível. Também era comum, nos conventos, o “monge-relógio”, aquele religioso que, para informar o tempo que passava, recitava orações por determinado período.

Clepsidra

Um dos primeiros exemplares de relógio de bolso, contendo o ponteiro das horas. Alemanha, 1535

Como todas as formas de marcar as horas não eram confiáveis, o homem continuou a fazer novos experimentos. Foi assim que surgiu no Egito o “relógio de água”, o Clepsidra, que consistia em um recipiente cheio de água com as paredes graduadas e um pequeno orifício para a água sair. Cada descida de duas graduações correspondia à passagem de l hora. O Clepsidra se difundiu por toda a Europa e Ásia, até o século XVI, quando era o mais exato medidor das horas sem sol. Um dos exemplares mais antigos deste relógio se encontra no Marrocos, na cidade de Fez. Ele foi construído em 1357, durante o reinado do sultão Bou Inania e por 100 anos marcou as horas das preces dos muçulmanos. A história dá a primazia da construção da Clepsidra de rodas dentadas a Arquimedes de Siracusa. A marcação de tempo era feita por intermédio de uma bóia que elevava consigo uma barra dentada e esta, por sua vez, movia uma engrenagem em cujo eixo situava-se o ponteiro indicador. O maior problema do relógio de água ocorria quando fazia muito frio e a água ficava congelada.
A Ampulheta

Raríssimo relógio de mesa, caixa de ébano, estilo romano. Londres, 1675. Avaliado em US$ 90 mil

Outro tipo de relógio muito utilizado foi o de areia, ou ampulheta. Inventado também pelos egípcios, seu funcionamento é simples: dois cones de vidro ligados por um pequeno orifício que regulava a passagem de areia colocada em uma das partes, marcavam determinado período de tempo. Depois era só virar o instrumento e repetir o processo. A ampulheta aparece no século VIII, e evoluiu com o fabrico do vidro que a tornou hermética, garantindo a fluidez da areia. Usava-se também pó de mármore moído, que era fervido em vinho e seco ao sol. Levada para a Europa, a ampulheta foi utilizada pelos soldados romanos para marcar a troca de guarda. Carlos Magno tinha uma ampulheta de 12 horas. Cristóvão Colombo usava uma de meia hora.

Relógio de ouro com a foto do Imperador
D. Pedro II quando jovem, da sua própria
coleção (Museu de Petrópolis)

A medição mecânica do tempo teve origem nas ordens religiosas que tinham necessidades de regular os tempos de oração e de culto. Os primeiros relógios mecânicos não mostravam o tempo: faziam-no soar. No início eram maquinas movidas por pesos que tocavam uma campainha a intervalos regulares. Estes relógios de câmara, situados na cela do monge “guardião do relógio”, eram denominados “horologia exiatoria”. O monge chamava os outros para as orações tocando o sino da torre. Mais tarde montou-se uma máquina maior que ficava na torre, que fazia soar o sino sem necessidade do monge guardião, e que passou a anunciar as horas canônicas uniformizadas por São Benedito no século VI em sete tempos: 1) as “Matinas” (aurora / 4 badaladas); 2) a “Hora Prima” (nascer do sol / 3 badaladas; 3) a “Hora Tertia” (meio da manhã / 2 badaladas); 4) a “Hora Sexta” ou “Meridies” (meio dia / 1 badalada); 5) a “Hora Nona” (meio da tarde / 2 badaladas); 6) as “Vésperas” (por do sol / 3 badaladas) e 7) as “Completas” (anoitecer / 4 badaladas). Estes relógios eram sujeitos a calibragem para acompanharem a variação dos dias ao longo do ano, e as diferentes horas do nascer e do pôr do sol. A palavra inglesa “clock” (relógio não portátil), deriva do holandês “clojk” que quer dizer sino, que por sua vez em alemão se denomina “glocke”.

Dois relógios decorativos da coleção de D. Pedro II, hoje no Museu de Petrópolis

O Oriente estava mais adiantado e a história nos conta que o califa árabe Harun Al Rashid teria presenteado Carlos Magno com um relógio de bronze que batia as horas. Mas, foi na Europa que o relógio mecânico se desenvolveu.

Relógio mecânico

Raro e revolucionário relógio de ormolu com base de mármore. França, 1795. Ass. “Duval a Paris”
F48/RELÓGIO: Coleção de relógios de bolso das marcas Rigonaud (1790), John Le Roux (1770), Perrin Freres (1810), Eardley Norton (1790), Vacheron&Constantin (1840), Ilbery (1810) e Antoine Allier (1790)

A época das descobertas marítimas, que começou depois do fim da Idade Média, fez aumentar a importância do tempo para o homem, na sua corrida para o desconhecido. As técnicas mecânicas de fabricação do relógio foram aparecendo, havendo necessidade cada vez mais de precisão para dividir o tempo. Os marinheiros, que usavam as referências no céu, observando o sol, a lua, as estrelas e as constelações, com a descoberta dos oceanos viram-se obrigados a se localizarem por latitudes e longitudes. Para a medição da altura do sol, necessária para se determinar a latitude, era usada a Bestilha, ou Bastão de Jacob, adotado no ocidente em 1342. Este dispositivo já era usado pelos gregos (Dioptra) e pelos árabes (Kamal). Os portugueses usavam o quadrante e o astrolábio.
Até se chegar a uma máquina de medição das horas de luz e de escuridão num único dia de 24 horas iguais, foi um processo gradual baseado nos avanços introduzidos no “relógio de soar”, e do aproveitamento do “escape” da máquina: dispositivo que interrompe regularmente a queda dos pesos, como um interruptor que alternadamente contem e solta a força da máquina, produzindo o “tique-taque” que se tornou a voz do tempo. A transição deu-se no século XIV, e a hora tomou um sentido universal e preciso, abandonando-se a “Hora Sazonal” em favor da “Hora Igual”.
O primeiro relógio mecânico (que marcava o tempo) conhecido e que hoje se encontra no Museu de Ciência, em Londres, teria sido fabricado em 1386 por Henry de Vicky, encomendado pelo rei da França. Entretanto, ele foi instalado na Catedral de Salisbury, na Inglaterra. Era formado por duas engrenagens movidas por cordas e pesava cerca de 200 quilos. A partir dos grandes relógios mecânicos foram criados os menores para uso doméstico. As torres e vigias das igrejas tornaram-se torres de relógio, de onde soavam horas iguais para os serviços religiosos. A subida dos relógios às torres dos mosteiros e das igrejas tornou-os máquinas públicas e símbolos da prosperidade das comunidades. O relógio foi um serviço público anterior ao abastecimento de água. O primeiro mostrador tinha 6 divisões, que um único ponteiro percorria 4 vezes cada dia de 24 horas, e foi criado em 1344 por Jacopo de Dondi na cidade de Chioggia, na Itália. O ponteiro de minuto só apareceria mais tarde com o uso do pêndulo. Foi em 1582 que o cientista Galileu Galilei (1564-1642), ao observar a oscilação de um candeeiro na Catedral de Pisa, descobriu a aplicação do movimento pendular na fabricação do relógio, do que se aproveitou o holandês Christian Huygens para fabricar o primeiro relógio de pêndulo.
O tempo portátil

F48/RELÓGIO: Coleção de relógios de bolso das marcas Rigonaud (1790), John Le Roux (1770), Perrin Freres (1810), Eardley Norton (1790), Vacheron&Constantin (1840), Ilbery (1810) e Antoine Allier (1790)

A aplicação do pêndulo nos relógios fez reduzir o erro diário de 15 minutos para cerca de 10 segundos. Este maquinismo foi aperfeiçoado por Peter Heinlein, de Nuremberg, que substituiu o peso por uma cinta de aço que tinha a mesma função, o que permitiu a redução do tamanho das máquinas até chegar ao relógio de bolso. A invenção de Heinlein possibilitou um avanço na história da relojoaria, sendo criadas novas patentes de excelentes mecanismos. A peça que permitiu movimentar o ponteiro dos minutos foi chamada de “balancin”, responsável pelo tique-taque dos relógios. A patente do relógio de bolso só foi registrada por Louis Recordon em 1780, em Londres.
Os relógios foram transformados em obras de arte nos séculos XVII e XVIII, os palácios e ricas residências da Europa ostentavam ricos relógios de parede, de coluna e de mesa, que além de marcar as horas serviam como objetos decorativos. No século XIX um conde polonês de nome Antoine Patek juntou-se ao relojoeiro francês Adrien Phillipe, criando uma marca de relógios que ficou famosa em todo o mundo: Patek-Phillipe. Considerado o que havia de mais perfeito e preciso na indústria da época, este relógio tinha clientes ilustres como a Rainha Vitória e o Czar Nicolau II, da Rússia, entre outros nobres e abastados do mundo. Considerado uma verdadeira inovação, em 1842 a fábrica do Patek-Fellipe criou o mecanismo sem chave para dar corda.

Relógio de Sol antigo

O relógio de pulso só foi criado e patenteado no século XX. O inglês John Harwood registrou a invenção em 1924, e logo o novo modelo superou o relógio de bolso. Um pouco antes, em 1920, uma nova tecnologia, a aplicação de propriedades piezelétricas de cristais na fabricação de relógios. Em 1928, dois americanos, J.W. Horton e W.A. Morrison criaram o primeiro relógio a quartzo do mundo, reduzindo a margem de erro na medição de tempo para um segundo a cada dez anos. E as novidades não pararam, surgindo o cronômetro, o relógio a prova de água, com altímetro e fundímetro, barômetro e os modelos digitais. A tecnologia atômica veio para superar o relógio de quartzo, mas aí já não é mais história.

Coleção de relógios de pulso das marcas Patek Phiippe, Movado, Vacheron & Constantin e Cartier de meados do século XIX

 

Fonte: A Relíquia

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

O Barão e a Era Mauá

 

Era Mauá é determinada pelas ações do Barão de Mauá, político e industrial brasileiro, no intuito de acelerar o cenário industrial do País. No começo do século XIX, o panorama socioeconômico nacional apresentava-se da seguinte forma: concentração de interesses no campo, trabalho escravo e uma aristocracia que investia somente em terras e na própria segurança. Todos estes fatores atravancavam o crescimento do Brasil no que se refere à industrialização e ao capitalismo.

 

 

 

A preocupação com o comércio e a indústria era mínima, assim como a continuidade do escravismo, que dificultava o desenvolvimento da economia.

 

Isso começa a mudar no ano de 1844, quando a produção interna do País é favorecida com a Tarifa Alves Branco, pois as alíquotas, que são percentuais de incidência de imposto no valor tributado, aumentaram no que se refere aos importados. Ou seja, o mercado de produção interna tornava-se mais competitivo com os produtos que vinham do exterior. Outro fator que ajudou na mudança dos rumos da economia brasileira foi o fim do tráfico de escravos (1850). Assim, uma grande quantidade de capital incidiu sobre o setor industrial e comercial.

Ainda naquele ano foi criado o Código Comercial, que era uma ferramenta de regulação em transações comerciais e para companhias capitalistas que surgiam. Desta forma, essa combinação de fatores favoreceu a economia brasileira e, entre os anos de 1850 e 1889, diversas pequenas fábricas de muitos setores começaram a surgir.

Entre as áreas econômicas que se desenvolveram, destacam-se as que produziam couro, sabão, papel e bens de consumo.

Neste momento surge a figura do Visconde de Mauá, como era conhecido Irineu Evangelista de Souza. Entre suas ações para o impulso da economia, estão: criação de estaleiros e fundições, companhias de linhas telegráficas, ferrovias, iluminação a gás, transporte urbano, entre outros negócios.

O Barão tinha, até mesmo, bancos no Brasil e no exterior. Porém, o crescimento industrial brasileiro incomodava a elite rural escravista e os países concorrentes.

Assim, começa um processo que levaria o Barão à falência. O mercado interno ainda não estava completamente estabilizado, pois os escravos não tinham participação nas trocas monetárias e as relações de mercado não se desenvolviam de forma plena.

A constante oposição dos senhores rurais freavam o crescimento econômico, além de Mauá possuir diversos inimigos no Brasil e no exterior. Devido a isso, as transformações na economia tornaram-se ações isoladas de alguns empresários. O País continuava dominado pela elite rural arcaica, o que gerou o fim da Era Mauá.

 

Fonte: Info Escola

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Soldado japonês lutou por 29 anos sem saber que a guerra havia terminado

 

Ele não acreditava que o Japão poderia ter perdido a guerra.

 

Soldado de guerra desde os 20 anos, Hiroo Onoda lutou com tanta devoção que não percebeu quando a guerra acabou e continuou lutando. Se você está se perguntando como isso é possível, continue lendo a história deste homem corajoso e muito teimoso.

Em dezembro de 1944, Onoda foi enviado às Filipinas. Sua missão, descrita em nota por Major Yoshimi Taniguchi, era a de manter-se vivo. Um trecho da nota, em uma tradução livre, diz que “Isso pode levar três anos, pode levar cinco, mas aconteça o que acontecer, nós vamos voltar até você.”

 

Filipinas

Fonte da imagem: Reprodução/TodayIFoundOut

Após chegar ao seu destino, Onoda viu a ilha onde estava ser invadida por tropas inimigas. Alguns oficiais se recusaram a cumprir as ordens de Onoda, que queria destruir o aeroporto e o porto locais. O lado positivo foi que isso fez com que as forças aliadas tivessem mais facilidade de chegar à ilha. Em seguida, a ilha foi totalmente conquistada por soldados japoneses, divididos em grupos e espalhados. Aos poucos esses soldados começaram a morrer, mas a pequena tropa de Onoda continuava com suas estratégias de guerrilha e sobrevivência.

Em outubro de 1945, Onoda e seus soldados ouviram alguém anunciando, aos gritos, que a guerra havia acabado, pedindo para que todos os soldados se apresentassem. Onoda pensou que o aviso era, na verdade, uma armadilha. Para ele, não fazia sentido que o Japão tivesse perdido tão rapidamente. Ele ainda nem sabia a respeito das bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.

 

Folhetos, jornais e cartas

Fonte da imagem: Reprodução/Patheos

Após algum tempo, um avião sobrevoou a ilha e jogou alguns folhetos para informar aos possíveis soldados presentes que haveria mais uma tentativa de busca. Onoda, mais uma vez, desconfiou da veracidade das informações.

Depois da primeira distribuição de folhetos, mais alguns foram lançados, agora acompanhados de jornais, com notícias a respeito do fim da guerra, além de fotografias e cartas escritas pelos familiares dos soldados. Feito esse contato, alguns delegados de guerra chegaram a entrar na ilha, pedindo para que os soldados escondidos aparecessem, contando sobre o fim da guerra em alto-falantes.

Anos se passaram e a pequena tropa de Onoda, formada por quatro soldados, continuou escondida. Com o passar do tempo, mesmo vendo que outras pessoas estavam circulando livremente, usando roupas comuns, Onoda continuava a achar que se tratava de uma tentativa de sabotagem.

 

Encontro

Fonte da imagem: Reprodução/TodayIFoundOut

Aos poucos, dois membros do grupo de Onoda saíram, restando ele e apenas mais um companheiro. Os dois viveram escondidos por mais 17 anos. Eles ainda acreditavam que, eventualmente, mais tropas inimigas apareceriam para confronto ou que o Japão pudesse enviar mais tropas para treinamento.

Após 27 anos de fuga, o parceiro de Onoda morreu durante uma briga com uma patrulha filipina. A morte deste soldado serviu de alerta ao governo japonês, que acreditava, até então, que todos os soldados que não retornaram estavam mortos.

O mais irônico vem a seguir: quem, de fato, encontrou Onoda foi um estudante que, em 1974, decidiu viajar para alguns lugares do mundo. Um de seus objetivos era encontrar um panda, o tenente Onoda e o abominável homem das neves. Parece piada, mas é verdade. Pelo menos o tenente ele encontrou.

 

Resgate

Fonte da imagem: Reprodução/Amazon

É claro que Onoda se recusou a acompanhar o estudante, afinal, seu comandante havia dito, há 29 anos, que voltaria para buscá-lo, independente do que acontecesse. O estudante voltou ao Japão e procurou o comandante Major Taniguchi , que enviou Onoda às Filipinas. Ele já estava aposentado e trabalhava em uma livraria. Taniguchi foi até Onoda e contou que a guerra, de fato, havia acabado. Ele estava finalmente liberado para voltar ao Japão.

Onoda ficou visivelmente revoltado ao analisar toda a situação e pensar no tempo que perdeu, escondendo-se de inimigos que nem mesmo existiam. Em nota, ele disse que se sentiu um tolo, que tudo à sua volta estava negro, como em uma tempestade.

De volta ao Japão, Onoda virou herói pela dedicação que demonstrou ter com o seu país. Ele também recebeu o pagamento relativo aos 30 anos de trabalho. Com o dinheiro, mudou-se para o Brasil, onde comprou uma chácara e se casou. Ele também escreveu um livro a respeito dos seus 30 anos de guerra.

Em 1984, Onoda voltou ao Japão, onde criou uma escola para ensinar técnicas de sobrevivência e independência aos jovens de seu país. Em 1996, ele retornou às Filipinas e doou US$ 10.000 para escolas locais. Em uma de suas frases mais famosas, Onoda diz: “Os homens nunca deveriam desistir. Eu nunca desisto. Eu odiaria perder.”

 

Fontes: Today I Found Out e Mega Curioso

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A crise do sistema escravista

 

Dinamarca foi o primeiro país Europeu a abolir o tráfico de escravos em 1792. A Grã-Bretanha veio a seguir, abolindo em 1807 e os Estados Unidos em 1808.

O Brasil foi o último país da América Latina a abolir a escravidão.

 

 

A Dependência da Inglaterra

Desde que D. João fugiu de Portugal para o Brasil, com a proteção da esquadra inglesa, seu governo ficou dependente da Inglaterra. Os comerciantes ingleses tinham tantas vantagens que se tornaram um grupo influente e poderoso com relação ao governo português.

Como o Brasil passava por problemas econômicos, começou a se preocupar em diminuir às importações e produzir aqui diversos produtos. Ora, isso não interessava à Inglaterra, que estava em plena Revolução Industrial. Além disso, as colônias inglesas produziam açúcar e no Brasil a produção do açúcar era grande e movida pela mão-de-obra escrava , e fazia concorrência ao açúcar inglês . Essa situação não agradava a Inglaterra que mantinha Portugal e conseqüentemente o Brasil sob seu comando, por causa de diversos tratados políticos .

 

Interesses Ingleses

A decisão da Inglaterra de lutar contra o tráfico de escravos foi mais por causa dos interesses econômicos do que por motivos humanitários.

Para os ingleses, se houvessem poucos escravos no Brasil haveria menor produção de açúcar e se, os trabalhadores recebessem pelo seu trabalho, mais pessoas teriam dinheiro para comprar as mercadorias produzidas pelas fábricas inglesas.

 

A Luta Contra o Tráfico

No Congresso de Viena em 1814, a Inglaterra influenciou os outros países a adotarem a política de abolir o tráfico de escravos. Assim, foram passadas leis e na Europa, fizeram tratados proibindo o tráfico.

O Tratado de Ashburton em 1842, entre Inglaterra e Estados Unidos, propunha que, cada um desses países mantivessem uma esquadra nas costas da África, para reforçar a proibição do tráfico.

Nos primeiros anos do século 19, a Inglaterra resolveu interferir de vez nos assuntos de Portugal e do Brasil. Em 1810, D. João teve que concordar com um tratado para cooperar com o fim do comércio de escravos, considerando que o tráfico era ilegal. À princípio, apenas acima da Linha do Equador, depois a Inglaterra exigiu que fosse proibida a entrada de escravos no Brasil.

A concordância de D. João, deu à Inglaterra justificativa para sua primeira campanha naval contra os navios negreiros (tumbeiros) portugueses. Esse patrulhamento fez com que o contrabando de escravos aumentasse. Os escravos eram desembarcados no Brasil, em lugares escondidos e vendidos no desembarque.

Com a Independência do Brasil, em 1822, a “proteção” inglesa se transferiu de Portugal para o Brasil. A Inglaterra avisou que só reconheceria a independência do Brasil se o tráfico negreiro fosse extinto. Foi assim que surgiram uma série de leis que deram origem à expressão “prá inglês ver”, porque essas leis eram feitas mas, não eram cumpridas.

A sociedade brasileira não aceitava o término da escravidão, porque a estrutura política e econômica do Brasil dependia dos escravos. O café estava se tornando a grande riqueza do país e a lavoura dependia da mão-de-obra escrava.

A Inglaterra então, depois da lei (bill) Aberdeen (que dizia que o tráfico podia ser proibido pela força) usou esse direito e como era, na época a nação mais poderosa, veio para as costas do Brasil com seus navios. Desrespeitando as águas territoriais brasileiras, os navios ingleses afundaram e capturaram navios negreiros. Mesmo assim, a única maneira que os ingleses encontraram para que os brasileiros tomassem uma séria medida anti-tráfico, foi ameaçando de mandar seus navios de guerra para os portos brasileiros.

Assim, em 1850, Eusébio de Queiróz propôs uma lei (Lei Eusébio de Queiróz) que foi aprovada, extinguindo o tráfico negreiro na Brasil.

 

Diminuição dos Escravos

Com o fim do tráfico de escravos, o problema da mão-de-obra, à princípio foi resolvido, mandando ou vendendo escravos para as regiões onde houvesse uma lavoura lucrativa. Portanto, a região sudeste, onde o café estava em expansão, era o lugar mais interessante. Desse modo, havia um tráfico interno, transferindo os escravos de uma região para outra.

Mas, a população de escravos foi diminuindo naturalmente. Mesmo sabendo que não poderiam trazer outros escravos, os donos continuavam a maltratar aqueles que tinham e a mortalidade era grande, um escravo vivia em média 7 anos. Havia poucos casamentos e quase nenhuma vida familiar, as péssimas condições de higiene favoreciam as doenças e assim poucas crianças sobreviviam.

Em 1887, às vésperas da abolição, no município do Rio de Janeiro só havia 7.488 escravos.

 

A Sociedade Negra Após a Libertação

Qual seria a reação dos escravos a esse movimento abolicionista?

Na verdade não sabemos, porque todos os relatos da época falam do ponto de vista oficial. É a voz dos políticos, dos grandes proprietários, da parte da sociedade que tinha influência.

Portanto, usando a imaginação, vamos achar que, a grande maioria dos escravos estavam alheios e mudos com relação à toda essa política em torno de sua libertação. Afinal, com raríssimas exceções, eles não sabiam ler nem escrever, e a filosofia da escravidão faziam com que eles não fossem estimulados a pensar e agir, deviam apenas obedecer.

Os escravos mais espertos, que viviam nas cidades com seus proprietários, estavam mais atentos ao que acontecia, porque faziam mandados na rua. Alguns até trabalhavam para seus donos e podiam ficar com algum dinheiro desse trabalho.

Portanto, quando chegou a liberdade os negros não tiveram condições de se igualarem no mercado de trabalho. Eram considerados pessoas inferiores e sem qualificações.

Na América Latina e Caribe, nos lugares onde a população negra era relativamente pequena, eles puderam se misturar à população local. Isso permitiu uma mistura de raças, fazendo com que não houvesse tantas distinções.

No México, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai os negros constituíam menos do que 1% da população.

Na América Central, costas da Colômbia, Venezuela, Brasil e Caribe, a concentração de negros ia de 2% em Honduras até 99% no Haiti. Assim com a mistura das raças, como africanos, europeus e nativos, seus descendentes deixaram de ser considerados “negros”.

Prejuízo para os Negros

As elites da América Latina, eram contra a aceitação social da população negra. Os que acreditavam no positivismo de Auguste Comte (filósofo francês) achavam que os africanos estavam muito longe de alcançar a modernidade e os abandonavam.

Aqueles que aderiam ao Darwinismo social, consideravam os africanos, uma sociedade pluralista, como sinal de fraqueza, uma vez que assumiam a superioridade natural da raça branca.

As elites latino americanas do século 19 se recusavam a aceitar o pluralismo cultural porque temiam dividir o poder com a população negra doméstica.

Muitas nações latino americanas adotaram leis proibindo a imigração negra durante o século 19 e em alguns países, como o Chile, essas leis ainda estão em vigor.

Na maioria dos países, a economia não havia crescido o bastante nem se diversificado para admitir trabalhadores negros. A maior parte da população negra, aliás permanece até hoje no último degrau da pirâmide social.

Quando começou a crise do escravismo os governos compensaram, não os ex-escravos mas, sim, os proprietários dos ex-escravos ! A grande massa negra nada possuía nem tinha os requisitos necessários para competir com a onda de imigrantes que estava chegando a América do Sul.

Entre 1870 e 1963 , o Brasil absorveu por volta de 5 milhões de imigrantes europeus. Uma grande parte deles tinha, por trás, responsáveis que pagavam seu transporte e moradia. De modo que, os negros foram sendo cada vez mais marginalizados , empobrecendo e sendo discriminados.

 

Fonte: Brasil Cultura

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A escravidão no Brasil

 

A escravidão no Brasil se consolidou como uma experiência de longa duração que marcou diversos aspectos da cultura e da sociedade brasileira. Mais que uma simples relação de trabalho, a existência da mão de obra escrava africana fixou um conjunto de valores da sociedade brasileira em relação ao trabalho, aos homens e às instituições. Nessa trajetória podemos ver a ocorrência do problema do preconceito racial e social no decorrer de nossa história.

 


Durante o estabelecimento da empresa colonial portuguesa, a opção pelo trabalho escravo envolveu diversas questões que iam desde o interesse econômico ao papel desempenhado pela Igreja na colônia. Sob o aspecto econômico, o tráfico de escravos foi um grande negócio para a Coroa Portuguesa. Em relação à posição da Igreja, o povo português foi impelido a escravizar os indígenas, pois estes integrariam o projeto de expansão do catolicismo pelas Américas.

No mundo do trabalho, a escravidão fez com que o trabalho se tornasse uma atividade inferior dentro da sociedade da época. O trabalho braçal era visto como algo destinado ao negro. Mesmo grande parte da mão de obra sendo empregada em atividades que exigiam grande esforço físico, outras tarefas também eram desempenhadas pelos escravos. Os escravos domésticos trabalhavam nas casas enquanto os escravos de ganho administravam pequenos comércios, praticavam artesanato ou prestavam pequenos serviços para seus senhores.

Mesmo a escravidão tornando-se uma prática usual, não podemos nos esquecer das várias formas de resistência contra a escravidão que aconteceram. O conflito direto, as fugas e a formação de quilombos eram as mais significativas formas de resistência. Além disso, a preservação de manifestações religiosas, certos traços da culinária africana, a capoeira, o suicídio e o aborto eram outras vias de luta contra a escravidão.

Após a independência do Brasil, observamos que a escravidão se manteve intocada. O preconceito racial e os interesses dos grandes proprietários permitiam a preservação do sistema escravista. Somente no Segundo Reinado podemos contemplar a formação de um movimento em prol da abolição. Em meio à ascensão do abolicionismo, os interesses britânicos pela ampliação de seu mercado consumidor em solo brasileiro e a imigração de trabalhadores europeus davam brecha para o fim desse sistema.

Durante o governo de Dom Pedro II, várias leis de caráter abolicionista foram sendo aplicadas. A gradação da política abolicionista traduzia o temor que certos setores da elite tinham em um processo de abolição brusco capaz de promover uma revolta social. A lei Eusébio de Queiroz, de 1850, foi a primeira a proibir o tráfico de escravos para o Brasil. Somente quase quarenta anos depois, em 1888, a Lei Áurea deu fim ao regime escravista brasileiro.

Apesar do fim da escravidão, a abolição não foi acompanhada por nenhuma ação no sentido de integrar o negro à sociedade brasileira. A discriminação racial e a exclusão econômica persistiram ao longo do século XX. Apesar de várias ações governamentais que atualmente querem atenuar o peso dessa “dívida histórica”, ainda falta muito para que o negro supere os resquícios de uma cultura ainda aberta ao signo da exclusão.

 

Fonte: Brasil Escola

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Invenção da Semana – Moinho de Vento

A invenção desta semana é usada até hoje na fabricação de alimentos, principalmente grãos, foi revolucionário e muito funcional quando foi inventado, ajudando em muito na produção agrícola, nós, Detetives da História, apresentamos o moinho de vento.

 

Moinho de vento Prins van Oranje em Bredevoort, nos Países Baixos

Um moinho de vento, em sentido restrito, é um moinho que usa as hélices como elemento de captação e conversão da energia eólica para outro tipo de energia apropriada para movimentar outros mecanismos.

É essa a utilização tradicional da energia do vento em terra. Em sentido lato, chama-se moinho de vento a qualquer motor movido a energia eólica, quer este motor esteja contido num edifício, como nos moinhos neerlandeses, que não são propriamente moinhos e simbombas de água, quer seja apenas um sistema de pás montado no topo de uma torre, como nas modernas turbinas eólicas, geradoras de electricidade para movimentar as bombas centrífugas. A partir de 1970, os moinhos de vento nos Países Baixos foram sendo substituídos, no bombeamento de água, por motores elétricos que acionam bombas tipo parafuso de Arquimedes.

As primeiras referências conhecidas a moinhos de vento datam do século X. Crê-se que aparelhos movidos a vento eram utilizados no Tibete em rituais e práticas oratórias. No Oriente, este tipo de estrutura mecânica começou por ter aplicação prática para facilitar o trabalho do homem, sendo utilizada para a elevação (ou bombagem) de água. No Ocidente, terá sido inicialmente aplicada pelos Persas à moagem de cereais. Na Europa, o mais antigo de moinho de vento conhecido trabalhava em Inglaterra em 1185.

História e Tipologias

Crê-se que os primeiros moinhos de vento possuiriam uma tipologia de eixo vertical com velas dispostas em seu redor. Contudo, essa tipologia acabou por ser substituída pela de eixo horizontal que hoje conhecemos. Em Portugal, a sua existência é citada num documento de 1303, contudo é de admitir que a sua introdução tenha sido anterior a esta data.

São sobejamente conhecidos os modelos de moinho de vento utilizados no norte da Europa, caracterizados por estrutura piramidal, de grande dimensão, compostos por uma torre de madeira com quatro pás de madeira no topo. Exemplos deste modelo são os típicos moinhos de vento neerlandês e Inglês.

Moinhos de vento na Mancha, na Espanha

O moinho de vento tipo mediterrânico, grupo ao qual pertence a maioria dos moinhos de vento portugueses, tomou uma forma particular, distinta da do norte da Europa. De menor dimensão, são, geralmente, compostos por uma estrutura cilíndrica construída em pedra, com cúpula cónica de madeira (denominada capelo) e um número variável de velas de pano cuja origem se pode associar ao velame das embarcações.

Em muitos dos moinhos de vento do norte da Europa, as pás são orientadas para o vento por rotação de toda a torre, ao passo que nos moinhos de vento de tipo mediterrânico apenas o capelo sofre este movimento permanecendo a restante estrutura fixa.

Com a revolução Industrial e a banalização de outras formas de produção de energia cinéticamais eficientes (da qual é exemplo o motor eléctrico), este tipo de tecnologia caiu em desuso, tendo muitos dos moinhos sido demolidos, conservados como atração turística e até mesmo transformados em residências pessoais.

Estrutura e engenho

O moinho de tipo mediterrânico é composto por um corpo de pedra com quatro a seis metros de altura e sensivelmente o mesmo diâmetro e cuja forma, embora se assemelhe a um cilindro, é, na verdade, um tronco de cone. Em torno do topo deste corpo central, existe uma calha, denominada frechal, sobre a qual assenta uma cúpula móvel, de forma cónica e à qual se dá o nome de capelo. Tipicamente, no vértice do capelo, é montado um cata-vento, cujo eixo se prolonga na vertical para o interior do moinho, fazendo rodar um dispositivo indicador que permite ao moleiro (operador do moinho) determinar a direcção do vento sem dele sair.

Moinho de vento de tipo mediterrânico em Portugal

Construído em madeira, em alvenaria ou em palha de centeio, o capelo é atravessado na diagonal por um mastro, eixo ou pião de madeira, que se estende por cerca de cinco metros para o seu exterior. Nesse prolongamento exterior, encontram-se fixadas em forma de cruz as varas ou braços, onde se fixam as velas de pano com formato triangular. Dois dos vérticas das velas estão fixos a uma vara, o que permite que estas sejam enroladas na respectiva vara quando o moinho de vento se encontra imobilizado, ou então estendidas sendo o terceiro vértice atado à vara que sucede aquela onde a vela está fixa. Esta situa-se mais atrás e dá uma inclinação à vela a qual permite que ao ser actuada pelo vento faça imprimir ao moinho um movimento de rotação. Estas varas de auxílio à armação e esticagem das velas, são denominadas vergas e estão colocadas de forma a dividirem a meio o ângulo formado pelas varas.

Moinho de vento tradicional da ilha do Pico, nos Açores

Dado que assenta sobre o frechal o capelo possui mobilidade rotacional, possibilitando aomoleiro orientar as velas na direcção do vento. A rotação do capelo é feita utilizando um dispositivo existente no seu interior ao qual se dá o nome de sarilho. Este dispositivo, que se assemelha ao cabrestante de um navio, é composto por um eixo horizontal e em torno do qual se enrola mecânicamente uma corda, com o auxílio de duas manivelas colocadas em posição oposta em cada uma das extremidades. Uma das pontas da corda está fixa no eixo do sarilho e na outra existe um gancho que se prende a uma de várias argolas fixadas perto do topo do corpo do moinho. Enrolando o sarilho, a corda estica e obriga o capelo a rodar sobre si mesmo, para a direcção conveniente.

A imobilização do moinho era feita rodando o capelo para uma posição em que o vento não propulsionasse as velas, fazendo com que o mastro perdesse velocidade. Quando imobilizado, as velas eram enroladas nas varas e estas últimas presas a algum de diversos marcos dispostos em torno do moinho através de uma corda denominada cabresto.

Fixada no mastro existe uma grande roda dentada, normalmente com os dentes dispostos na lateral, denominada entrosa. Ao centro do moinho existe um eixo vertical, no topo deste eixo existe um carreto no qual engrenam os dentes da entrosa, de tal forma que fazem rodar o carreto independentemente da posição do capelo. Deste modo, a energia cinética de rotação gerada no mastro devido à propulsão dada pelo vento ao ser captado pelas velas, é transmitida pelo eixo central até à base do moinho onde faz rodar as mós que móem o cereal sendo assim a energia eólica aproveitada. Todas estas estruturas e engrenagens móveis descritas eram talhadas em madeira rija (tipicamente carvalho, sobreiro ou azinheiro), por artífices especializados nesse tipo de trabalho, a quem se dava o nome de engenheiros (ou seja, os homens que fabricavam os engenhos).

Aplicações dos moinhos

Moagem de Cereais

Os moinhos de vento podem ser aplicados à moagem de cereais. Neste caso, a energia que chega à base do moinho através do seu eixo central é utilizada para fazer rodar uma mó. Uma mó é uma pedra maciça, esculpida em forma de anel cilindrico achatado, de faces sulcadas e a cujo centro vazio se chama olho da mó. Numa instalação para moagem existem duas mós, sendo uma delas estática, denominada poiso e assente no chão do moinho, sobre a qual se coloca uma segunda mó com uma folga ligeira de modo a que não impeça o movimento de rotação, denominada corredor, com raio idêntico ao do poiso mas com altura inferior (em moinhos de vento da região do Ribatejo um poiso pesava tipicamente 1200 kg, enquanto que um corredor pesava oitocentos kg).

O corredor está suspensa no eixo vertical, sendo fixa a este através de um suporte metálico regulável em altura de nome “segurelha”. A necessidade de regular a altura do corredor deve-se ao facto ao desgaste em altura das faces, a que ambas as mós estão sujeitas com o desenrolar da actividade de moagem, por efeito da fricção. Quando os sulcos das mós desaparecem, cabe ao moleiro criar novos sulcos para que a moagem do cereal seja possível, acto ao qual se chama o “picar da mó” e que é realizado com o auxílio de ferramentas cuja forma e função se assemelham à de uma picareta, daí o seu nome “picão” ou “picadeira”.

A moagem do cereal é feita depositando-o em grão na folga existente entre o poiso e o corredor. A rotação do corredor fricciona os grãos contra o poiso, esmagando-os repetidamente até que, lentamente,ise transformam em farinha, sendo este o nome atríbuído ao pó a que se reduzem os cereais moídos . O cereal em grão é depositado numa caixa com fundo em cone ou pirâmide invertida, denominada tegão, à qual se liga uma calha ou quelha que conduz o grão para o olho do moinho e o deposita na folga entre o poiso e o corredor. A energia centrífuga provocada pela rotação do corredor faz com que o grão (e o produto da sua moagem) se desloque desde o olho até a circunferência da mó, onde é recolhido já em farinha.

Elevação de água

Os moinhos de vento podem ser aplicados à elevação ou bombagem (bombeamento) de água. Neste caso, a energia que chega à base do moinho através do seu eixo central é utilizada para fazer rodar um parafuso de Arquimedes. Uma engrenagem colocada no eixo central é ligada a um parafuso colocado no interior de um tubo cilíndrico ou semi-cilíndrico oco, posicionado num plano inclinado na diagonal com a extremidade mais baixa colocada abaixo da linha de água. Eles foram muito utilizados nos Países Baixos com esta finalidade para drenagem dos pôlderes (terras baixas). Actualmente, a maior parte das bombas tipo parafuso são accionadas porenergia eléctrica em vez da energia eólica.

A rotação e disposição do parafuso fazem com que o movimento de rotação arraste um volume de água ao longo do tubo até ao topo, onde é captada na extremidade mais elevada.

 

Produção de Energia Elétrica

Geradores eólicos em Egeln, na Alemanha

Os moinhos de vento podem ser aplicados à geração ou produção de energia eléctrica. Neste caso, a estrutura é apenas composta por uma armação metálica ou haste oca, no topo do qual se encontra uma turbina. As pás são de grande dimensão, atingindo, em aparelhos modernos, entre quarenta e sessenta metros de comprimento e rodam lentamente. O equivalente ao mastro do moinho de vento até aqui descrito encontra-se directamente ligado a um elemento gerador (em geral um alternador ou dínamo) capaz de converter a energia cinética de rotação em energia eléctrica que é ajustada ou rectificada e depois canalizada para a rede comum de fornecimento de energia eléctrica.

Modelos futuros

 

O navio a turbovela Alcyone na foto, na marina de Cascais, foi especialmente projetado para receber a tecnologia Turbovoile de Cousteau: uma turbina de voluta vertical com rotores internos

Moinho de vento de voluta vertical podem funcionar com as turbinas embutidas, interferindo menos com a paisagem além de eliminar os riscos as colisões tão frequentes das turbinas com as aves.

 

Fonte: Wikipedia

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Sabinada

 

 

Revolta da Sabinada na Bahia

 
A independência oficial do Brasil, prevalecendo sobre a libertação sonhada pelos patriotas – para usar uma palavra em voga na época – frustrou grande parte da população. A independência oficial sedimentou uma estrutura econômica e política herdada da Colônia, pouco alterando a situação das massas e, por adotar um centralismo autoritário, pressionava também o sistema político nas províncias. A oportunidade perdida de democratizar a prática política, de um lado, e a insistência em manter inalterado o instituto da escravidão, de outro, praticamente fizeram aflorar todo o anacronismo do Estado brasileiro, provocando várias reações. Entre elas a Sabinada, na Bahia, e a Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

O movimento

No decorrer do ano de 1837, difundiram-se boatos de levante e rebelião em Salvador. O poder central do Rio de Janeiro foi informado da ameaça de uma rebelião em maio, pelo presidente da província, Sousa Paraíso. O Novo Diário da Bahia, publicado pelo do médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, pregava abertamente a revolução, e os “clubes” revolucionários atuavam sem restrições.

No início de novembro várias denúncias chegaram às autoridades, mas Sousa Paraíso limitou-se, no dia 4 de novembro, a alertar os baianos contra os “desorganizadores” que pretendiam a separação da Bahia.

Finalmente, a rebelião longamente denunciada eclodiu no dia 6 de novembro de 1837.

Às oito horas da noite desse dia, os líderes, entre eles Sabino, dirigiram-se ao Forte de São Pedro.

O presidente da província, Paraíso, e o seu Comandante das Armas, Luís França, que até então não haviam tomado nenhuma medida, perderam rapidamente o controle da situação. As tropas foram aderindo aos rebeldes e ambos se viram obrigados a fugir.

Na manhã do dia 7, os rebeldes dirigiram-se à Câmara Municipal de Salvador e convocaram uma sessão extraordinária. Nela apresentaram um documento que declarava a independência da Bahia. Nomeava-se como presidente Inocêncio Rocha Galvão, um advogado que se exilou nos Estados Unidos, acusado de ter participado do assassinato do Comandante das Armas em 1824. Era uma nomeação simbólica, pois Inocêncio Rocha Galvão não voltou à Bahia.

A presidência foi entregue ao vice, João Carneiro da Silva Rego; Sérgio José Veloso assumiu o cargo de comandante das Armas e Sabino ficou como secretário de governo.

Logo no início, dois acontecimentos começaram a atuar contra os rebeldes:

1) Comerciantes portugueses e pessoas ricas deixaram Salvador com seus bens, seguidos pelos funcionários públicos, que levaram consigo as chaves dos cofres e das repartições.

2) Paraíso, o presidente deposto e refugiado no Recôncavo, pediu e recebeu o apoio de Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, tenente-coronel e poderoso senhor de engenho, que traçou os planos que seriam seguidos para sufocar a rebelião. Em seguida, Paraíso renunciou e foi substituído por Antônio Pereira Barreto Pedroso, que assumiu o comando da repressão em 19 de novembro.

A partir do dia 13 de novembro, os legalistas começaram a colocar em prática os planos. O governo expulso de Salvador se recompôs na vila de São Francisco, e Cachoeira foi escolhida para sediar a justiça. A força militar foi recrutada na Guarda Nacional do Recôncavo e se concentrou em Pirajá, e no final de novembro, 1200 homens já estavam acampados na região. Com a ajuda de famílias ricas, unidades de combate foram recrutadas em seus domínios e equipadas à sua custa; o arcebispo da Bahia, D. Romualdo Seixas, transferiu-se para Santo Amaro. Foi ordenado o bloqueio naval de Salvador, que se concretizou já na segunda semana de dezembro. O novo presidente da província, Barreto Pedroso, criou destacamentos em vários municípios para impedir a difusão da Sabinada e evitar o sempre temido levante de escravos.

Enquanto isso o êxodo de Salvador continuou, sem interferência dos rebeldes, que ainda não haviam sentido os efeitos do bloqueio que tinha por objetivo sufocá-los economicamente. A rebelião não se expandiu para outras regiões da província e Salvador ficou isolada. No último dia de novembro, com um contingente não superior a 2 mil homens, os rebeldes atacaram posições legalistas, mas foram repelidos.

No dia 2 de dezembro o aniversário do futuro D. Pedro II foi comemorado pelos legalistas e, curiosamente, também pelos rebeldes, em Salvador. Ao longo desse mês, os efeitos do bloqueio começaram a ser sentidos em Salvador: escassearam farinha de trigo e de mandioca.

Em contraste, os legalistas que dominavam o Recôncavo recebiam abundantes auxílios do Rio de Janeiro e de outras províncias e organizavam ativamente o ataque, aguardando o momento oportuno. A falta de iniciativa dos rebeldes e o tempo contavam a favor dos legalistas.

Essa falta de iniciativa devia-se, aparentemente, à indefinição dos rebeldes em relação aos objetivos de seu movimento. Embora decretassem a separação, os rebeldes comemoraram o aniversário do futuro imperador. De fato, esse era um ponto bastante estranho, mas, entre os rebeldes, havia os que defendiam a separação apenas enquanto durasse a menoridade do imperador. Deve-se observar também que, uma vez no poder, os rebeldes começaram a agir como qualquer governo normalmente empossado. Em fevereiro de 1838, quando a falta de gêneros alimentícios começou a atingir duramente toda a população, os rebeldes baixaram um decreto aumentando os salários do presidente e de seus ministros, já que os vencimentos anteriores, bastante módicos, foram considerados incompatíveis com a “dignidade” (conforme expressão do próprio decreto) dos cargos.

Os rebeldes conduziam-se, portanto, como governo e não como revolucionários. E isso foi notado por João da Veiga Murici, um professor que se transformara, com a rebelião, em tenente e secretário da Artilharia. Dizia ele: (…) este governo, operando em uma pensada revolução, só quer marchar restrito às leis antigas, como se estas não fossem proscritas pela revolução, e desta forma ficando no status quo (…) donde certamente virá resultar o cair por terra o edifício revolucionário, e de nada valerem as observâncias de legalidades. E disse mais: a partir deste fundamental princípio – [de] que a lei da revolução é tudo aquilo que tende a fazê-la prevalecer, e por isso não há agora legalidades, antigas contemplações, escrúpulos, divisão de poderes, economias expendiosas contra o sagrado progresso da causa.

Os rebeldes chegaram mais perto desse espírito revolucionário em fevereiro de 1838, quando confiscaram os bens dos que haviam fugido de Salvador para o Recôncavo e jogaram nas prisões os portugueses. No último decreto dos revoltosos, datado de 19 de fevereiro, prometeu-se alforria (liberdade) para os escravos nascidos no Brasil que se alistassem nas tropas, indenizando seus proprietários. Por fim, nos dias 17 e 18 de fevereiro, os rebeldes lançaram uma ofensiva. O combate durou trinta e cinco horas e, novamente, foram derrotados.

Na ocasião, já era visível a desmoralização das forças rebeldes, nas quais reinava a mais completa indisciplina. A ofensiva legalista que começou em 12-13 de maio não encontrou dificuldade em entrar finalmente em Salvador e derrotar, definitivamente, os rebeldes. Na dia 17, o presidente da província, Barreto Pedroso, chegou a Salvador e Sabino foi preso no dia 22 de maio. Haviam sido mortos 1258 rebeldes e 2 989 foram aprisionados.

Os rebeldes presos foram julgados e os principais, condenados à morte. Porém, com a antecipação da maioridade de D. Pedro II, os condenados foram anistiados e postos em liberdade, mas proibidos de permanecer em Salvador. Sabino foi obrigado a transferir-se para Goiás, onde continuou politicamente ativo.

Para alguns historiadores parece estranho que um movimento como a Sabinada, que não chegou a apresentar o perigo de autonomia popular como a Cabanagem, por exemplo, tenha merecido tão violenta repressão. Bem mais violenta que a dedicada aos farrapos, que ameaçaram mais gravemente a coesão do Império. Porém, se na Sabinada não houve a mesma participação popular da Cabanagem, nem o vigor da Farroupilha, ela foi m uito mais nítida ideologicamente.

As idéias que a nortearam, quase todas da Revolução Francesa, eram veiculadas nos jornais por intelectuais competentes, dentro de uma tradição retórica que ensaiava impor-se na práxis política. Com os farrapos era possível um acordo, mas com os sabinos era diferente: eles tinham convicção ideológica. Talvez a “vingança” se explique pela perda de controle dos líderes sobre os setores mais “franceses” da insurreição. No decorrer da luta surgiram correntes agredindo a aristocracia, divulgando na imprensa suas perigosas idéias. Estas idéias são bem marcadas num dos hinos publicados:

– Defende o altar e o trono
– Derruba a aristocracia

Porém essa confusão ideológica – altar e trono sem aristocracia – não significa ascensão do povo. É uma reação contra o apoio que a aristocracia baiana deu ao Império, fornecendo gente para sufocar a rebelião. Nem por isso deixou de assustar as classes dominantes, que agiram para “cortar o mal pela raiz”.

 

Fonte: Passei Web

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A Revolta dos Balaios, mais conhecida como Balaiada

 

A ‘revolta dos balaios’ – ocorrida no Maranhão durante o período de 1830 a 1841 – resultou em mais uma manifestação do processo de crise por que passava a sociedade brasileira durante o período regencial.
Na época do movimento, a província contava com aproximadamente 200 mil homens, dos quais 90 000 eram escravos e outra grande parte formada de sertanejos ligados à lavoura ou à pecuária.


“Retirantes” de Candido Portinari
Herdando uma estrutura social gerada, em fins da época colonial na produção do algodão, a região encontrava-se, nesse momento, econômica e socialmente instável. A produção algodoeira, fundando-se apenas em razão de condições internacionais – guerra de Independência dos Estados Unidos, Revolução Industrial etc. -, declinou paralelamente ao desaparecimento dos acontecimentos externos favoráveis à economia exportadora .

Base social necessária para o funcionamento dessa economia, a massa de escravos negros constituía um enorme contingente, populacional que, não raras vezes, apresentou sinais de rebeldia, aquilombando-se nas matas, “de onde saíam para surtidas rápidas e violentas sobre propriedades agrárias “. O grande contingente de homens livres, disperses pelo Maranhão e com formas rudimentares de divisão do trabalho, deveu-se basicamente à pecuária extensiva.

O caráter mesmo dessa atividade, na região, possibilitou o crescimento vegetativo normal da população que, em épocas de retração da economia, dedicava-se à subsistência. Será o caráter de sua participação no movimento – aliada à dos negros – que dará à Balaiada uma configuração especial dentre as mobilizações ocorridas no período.

Se a rebeldia desses grupos já possibilitara sua participação como braço armado durante os conflitos ocorridos pela época da independência, na revolta dos balaios, a participação de negros e homens livres (sertanejos) adquire caráter próprio, escapando ao controle das disputas partidárias.
Em nível das camadas dominantes, o quadro da região não difere das demais, na época. “A política da Província era regulada pelos Bentevis (liberais) e Cabanos (conservadores), seguindo os moldes do revezamento de partidos, adotado durante o período imperial.

Algumas crises, estabelecidas sobre o quadro de ‘rotatividade de elites’ no poder, eram seguidas – ou precedidas conforme o caso, de agitações locais, envolvendo geralmente as camadas populares corno instrumento de luta.”.
Os conflitos ocorridos entre tais grupos – que também podem ser observados através dos jornais por eles encabeçados – teriam se acirrado com a votação da lei dos prefeitos pelo legislativo, sob a presidência do cabano Vicente Pires de Camargo.

Tal medida visava a um maior controle da província pelo partido dominante, através de poderes legados aos prefeitos.
O fato com que se costuma marcar o início da revolta ocorreu quando Raimundo Gomes – um vaqueiro que administrava a fazenda do Padre Inácio Mendes (bentevi) passava pela vila do Manga levando uma boiada para ser vendida em outra localidade.

O subprefeito da vila, José Egito, cabano e adversário político de Padre Mendes, baixa uma ordem para o recrutamento de alguns homens que acompanhavam Gomes e também para a prisão do irmão do vaqueiro. Reagindo, Raimundo Gomes assalta a cadeia e foge para Chapadinha. Irrompidas as agitações populares concentradas, num primeiro momento, na coluna de Raimundo Gomes, o aparecimento de manifestações em outras regiões passa a ser freqüente. Delas tentará se aproveitar o partido bentevi.

Entretanto, “o movimento, ampliando-se, seja no raio de ação geográfica, seja no quantitativo dos que a ele vieram trazer a sua participação,”não possuía as características simplistas de mais um pronunciamento de políticos desejosos de poder” Nesse sentido, vale lembrar a participação de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, construtor e vendedor de balaios, “daí ser chamado ‘Balaio’, nome que passaria ao movimento”, bem como a do preto Cosme, que se colocou à frente de três mil negros rebolados.
Um ofício que Caxias, então no comando da repressão à Balaiada, envia ao Ministro da Guerra em 5 de março de 1840, permite observar o caráter adquirido pelo movimento: “A opinião geral é que as eleições, e só as eleições deram origem às dissensões dos dois partidos conhecidos com as denominações de Cabanos e Bentevis; os segundos perseguidos pelos primeiros, que tinham apoio na Assembléia Provincial e, desgraçadamente no Governo de então, influíram no interior no rompimento da revolta; mas hoje nada há de comum entre os rebeldes salteadores e as opiniões políticas dos denominados Bentevis, que sofrem como os Cabanos grandes perdas nas suas Fazendas, e que se prestam para a pacificação da Província.”
Nessa medida, adotando o sistema de guerrilhas e atacando as propriedades através de emboscadas, as ações e os objetivos dos balaios – certamente não muito claros para eles próprios – deixam de ser incorporados por quaisquer dos dois partidos em disputa.
O número de adesões crescia nas regiões de Tutóia, Vargem Grande, Coroatá e Brejo, seguidas de freqüentes choques com as forças repressoras. A mobilização atinge grande parte da província. Em 1839, “a 24 de março, apresentavam-se às portas de Caxias, segunda cidade da província em importância. Depois de um cerco de sete dias, tomaram a cidade, fazendo valiosa presa. O pânico alastrava-se pela província e ameaçava a capital …”
Em Caxias, os rebeldes intentaram uma primeira forma de organização política da qual participaram os elementos bentevis da cidade.

A participação desses elementos certamente serviu para conter as propostas mais radicais. Assim, em seu curto espaço de duração, esse conselho “limitou-se tão-somente a providências de caráter militar e de emergência , e a mandar a São Luís uma delegação a fim de se entender com o presidente da província”.
As propostas enviadas pela delegação e que sintetizavam os objetivos básicos do conselho resumiam, em última instância, apenas proposições liberais dos bentevis que, como partido da camada dominante, não desejava mudança alguma que pudesse abalar a estrutura social da província.

Só nesse quadro podem ser compreendidos o reconhecimento da soberania do império e a exigência de expulsão dos portugueses e da restrição dos direitos dos adotivos – motivos que percorreram todas as agitações partidárias dos movimentos de independência – movimentos com caráter eminentemente de classe dominante.

De qualquer forma, frente ao vulto adquirido pelo movimento que atinge as Províncias do Ceará e Piauí, é nomeado para reprimir a rebelião o Coronel Luís Alves de Lima e Silva, que obtém não só o comando das armas como também a função de presidente da província. “Em Brejo, registrou-se a primeira grande derrota dos ‘balaios’ . Seguiu-se a dispersão deles que, penetrando no Piauí, com Raimundo Gomes, não alcançaram ali qualquer sucesso.”

A direção final do movimento ficou praticamente em mãos do preto Cosme, “Tutor e Imperador das Liberdades Bem-te-vi.” Utilizando-se do recurso da anistia, o governo imperial consegue, em 22 de agosto de 1840, a rendição de muitos rebeldes…
as partidas volantes e concedendo anistia aos chefes sob a condição de ajudarem na perseguição dos que continuavam rebolados, a repressão, assim montada por Caxias, conseguiu acabar com o movimento que povoou a Província do Maranhão até 1841.

Vale lembrar que a repressão à Balaiada marcaria o início da chamada “pacificação” através da qual Caxias sufocou as freqüentes agitações que perpassaram a sociedade brasileira durante o império.

 

Fonte:  História Net

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A Cabanagem

 

Entre os principais conflitos do período regencial, a Cabanagem ganha especial destaque em função de sua trajetória de caráter popular. Na região, que hoje compreende as regiões do Pará e do Amazonas, a economia vivia em função de atividades extrativistas e o cultivo de culturas de cacau, algodão, tabaco e arroz. Além disso, a cidade de Belém estabelecia-se enquanto ponto maior das atividades comerciais controladas por portugueses e britânicos.

 

 

Na época, a estrutura econômica excludente e dependente da agricultura agro-exportadora concebia um cenário de desolação sócio-econômica das camadas populares. Ao mesmo tempo, a distância e a falta de assistência do governo central gerava um clima de animosidades por parte das esferas de poder local. Nesse contexto, temos um primeiro episódio conflituoso, quando em 1832 os paraenses pegam em armas para impedir a posse de um governador nomeado pelo governo regencial.

Resistindo à insatisfação dos paraenses, a regência nomeou o conservador Bernardo Lobo Sousa para governar o Grão-Pará. Impondo uma política essencialmente repressora, Bernardo Lobo perseguiu sistematicamente aqueles que oferecessem qualquer tipo de ameaça à sua autoridade. Tamanha inflexibilidade somente aumentou as tensões internas, que viriam a eclodir tempos depois.

No ano de 1835, um grupo de revoltosos tomou a capital Belém de assalto e assassinou o então governador da província. Nesse momento, lideranças da elite e das camadas populares surgiram com certa expressão. Resistindo ao movimento das forças regenciais, os cabanos entregaram o poder nas mãos do fazendeiro Félix Antônio Malcher. Em pouco tempo, as reivindicações mais profundas dos populares instigou a saída dos grandes proprietários desse movimento.

A partir de então, o comando da Cabanagem cai nas mãos dos Irmãos Vinagre e do seringueiro Eduardo Angelim. No meio tempo em que a rebelião se reorganizava, o governo regencial enviou tropas lideradas pelo mercenário inglês John Taylor. A vitória das forças oficiais não veio a se estabelecer de forma plena. Comandando mais de 3 mil populares, Eduardo Angelim conseguiu reaver o controle da capital paraense.

A chegada de Angelim ao poder dava pistas de uma vitória do levante popular. No entanto, a ausência de outras províncias participantes e a instabilidade política dos poderes instalados acabou esfriando o potencial revolucionário do movimento. No ano de 1839, a Cabanagem chegava ao seu fim com um trágico saldo de 30 mil mortos.

 

Fonte: Mundo Educação

 

Por: DetetivesDaHistoria