Finalmente a Proclamação da República, resumo e desfecho

O processo histórico em que se desenvolveu o fim do regime monárquico brasileiro e a ascensão da ordem republicana no Brasil perpassa por uma série de transformações em que visualizamos a chegada dos militares ao poder.


Deodoro da Fonseca: executor de uma mudança construída ao longo do tempo.

De fato, a proposta de um regime republicano já vivia uma longa história manifestada em diferentes revoltas. Entre tantas tentativas de transformação, a Revolução Farroupilha (1835-1845) foi a última a levantar-se contra a monarquia.

Podemos destacar a importância do processo de industrialização e o crescimento da cafeicultura enquanto fatores de mudança sócio-econômica. As classes médias urbanas e os cafeicultores do Oeste paulista buscavam ampliar sua participação política através de uma nova forma de governo. Ao mesmo tempo, os militares que saíram vitoriosos da Guerra do Paraguai se aproximaram do pensamento positivista, defensor de um governo republicano centralizado.

Além dessa demanda por transformação política, devemos também destacar como a campanha abolicionista começou a divulgar uma forte propaganda contra o regime monárquico. Vários entusiastas da causa abolicionista relacionavam os entraves do desenvolvimento nacional às desigualdades de um tipo de relação de trabalho legitimado pelas mãos de Dom Pedro II. Dessa forma, o fim da monarquia era uma opção viável para muitos daqueles que combatiam a mão de obra escrava.

Até aqui podemos ver que os mais proeminentes intelectuais e mais importantes membros da elite agroexportadora nacional não mais apoiavam a monarquia. Essa perda de sustentação política pode ser ainda explicada com as consequências de duas leis que merecem destaque. Em 1850, a lei Eusébio de Queiroz proibiu a tráfico de escravos, encarecendo o uso desse tipo de força de trabalho. Naquele mesmo ano, a Lei de Terras preservava a economia nas mãos dos grandes proprietários de terra.

O conjunto dessas transformações ganhou maior força a partir de 1870. Naquele ano, os republicanos se organizaram em um partido e publicaram suas ideias no Manifesto Republicano. Naquela altura, os militares se mobilizaram contra os poderes amplos do imperador e, pouco depois, a Igreja se voltou contra a monarquia depois de ter suas medidas contra a presença de maçons na Igreja anuladas pelos poderes concedidos ao rei.

No ano de 1888, a abolição da escravidão promovida pelas mãos da princesa Isabel deu o último suspiro à Monarquia Brasileira. O latifúndio e a sociedade escravista que justificavam a presença de um imperador enérgico e autoritário, não faziam mais sentido às novas feições da sociedade brasileira do século XIX. Os clubes republicanos já se espalhavam em todo o país e naquela mesma época diversos boatos davam conta sobre a intenção de Dom Pedro II em reconfigurar os quadros da Guarda Nacional.

A ameaça de deposição e mudança dentro do exército serviu de motivação suficiente para que o Marechal Deodoro da Fonseca agrupasse as tropas do Rio de Janeiro e invadisse o Ministério da Guerra. Segundo alguns relatos, os militares pretendiam inicialmente exigir somente a mudança do Ministro da Guerra. No entanto, a ameaça militar foi suficiente para dissolver o gabinete imperial e proclamar a República.

O golpe militar promovido em 15 de novembro de 1889 foi reafirmado com a proclamação civil de integrantes do Partido Republicano, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Ao contrário do que aparentou, a proclamação foi consequência de um governo que não mais possuía base de sustentação política e não contou com intensa participação popular. Conforme salientado pelo ministro Aristides Lobo, a proclamação ocorreu às vistas de um povo que assistiu tudo de forma bestializada.

 

Por Rainer Sousa
Graduado em História

Fonte: Brasil Escola

Por: DetetivesDaHistoria

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A Questão religiosa: Igreja vs. Estado

 

A chamada Questão religiosa foi um episódio que não esteve diretamente relacionado ao fim do Império, mas que desgastou bastante a relação entre Proclamação da República a Coroa e a Igreja católica.

 

 

São amplamente conhecidas as relações entre a o catolicismo e a política brasileira. Desde o processo colonizador até a , Igreja e Estado – primeiro o português, depois o brasileiro – sempre estiveram intimamente ligados. Após 1889, embora não existisse mais uma ligação formal, a relação entre os dois não desapareceu.

A Constituição de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Império. Portanto, ao contrário de hoje, em que temos um Estado laico, até 1889 existia uma relação formal entre a Igreja e a Coroa, que atendia aos interesses de ambos. Ao imperador, por exemplo, era facultado o direito ao padroado (prerrogativa de preencher os cargos eclesiásticos mais importantes) e ao beneplácito (aprovação das ordens e bulas papais para que fossem cumpridas, ou não, em território nacional). Os próprios sacerdotes eram tratados como funcionários públicos, recebendo salários da Coroa.

Bispos aplicam o ultramontanismo

A bula papal “Syllabus” (1864) e o Concílio Vaticano 1° (1869-1870) consagraram a doutrina do ultramantonismo, defendida pelo papa Pio 9º. Em linhas gerais, essa doutrina postulava a infalibilidade do papa e combatia as idéias e instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo. Esse era o caso, por exemplo, da Maçonaria. Contudo, no caso brasileiro, havia inúmeros clérigos maçons.

O bispo do Rio de Janeiro, dom Pedro Maria de Lacerda, era um dos adeptos do ultramontanismo. Por isso mesmo, em abril de 1872, suspendeu o padre Almeida Martins, que, no mês anterior, numa festa em comemoração à Lei do Ventre Livre, havia proferido um discurso em homenagem ao visconde de Rio Branco, presidente do Conselho de Ministros e – o que era o problema – grão-mestre da Maçonaria.

Em março, o bispo do Pará, Antônio de Macedo Costa, já tinha atacado violentamente os maçons, ameaçando os religiosos ligados à Maçonaria de não poderem continuar participando das atividades religiosas e de perderem o direito à sepultura eclesiástica e à absolvição sacramental. Contudo, após a punição do padre Almeida Martins, clérigos maçons divulgaram um manifesto em que reafirmavam a compatibilidade entre a atividade religiosa e a Maçonaria.

Em dezembro de 1872, foi o bispo de Olinda, Vital Maria, quem procurou aplicar o ultramontanismo. Após uma campanha mal-sucedida para incentivar católicos a abandonarem a Maçonaria, o bispo determinou que as irmandades expulsassem seus membros maçons. Porém, não sendo atendido, passou a ameaçar de excomunhão os que tivessem ligações com a Maçonaria.

Imperador e papa celebram acordo

Nos dois casos, os perseguidos recorreram ao governo provincial, que encaminhou o recurso à Corte. Tanto Antônio de Macedo quanto Vital Maria foram declarados incompetentes para punir as irmandades, papel que caberia ao imperador, dom Pedro 2°. Enquanto o bispo de Olinda continuou sustentando sua decisão, o bispo do Pará assumiu uma postura mais contundente. Macedo não reconheceu a autoridade do Império para censurá-lo.

Para tentar dirimir os atritos com a Igreja, dom Pedro enviou ao Vaticano a chamada Missão Penedo, em agosto de 1873. Entretanto, os acontecimentos seguintes inviabilizaram a missão diplomática. No final daquele ano, o Conselho de Ministros, diante da insubordinação dos bispos, decidiu apresentar denúncia formal contra os dois. No início de 1874, Antônio de Macedo e Vital Maria foram condenados a quatro anos de prisão.

A solução para o impasse só ocorreu em 1875, quando o papa Pio 9° e o imperador Pedro 2° finalmente chegaram a um consenso. Este concedeu anistia aos bispos presos. O papa, por sua vez, suspendeu as punições contra as irmandades do Pará e de Olinda. Igreja e Estado se mantinham, assim, juntos novamente, numa relação que não resistiria mais do que alguns anos.

 

Fonte: Educação Uol

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A crise do império, a Questão Militar


Deodoro da Fonseca assumiu a posição de liderança entre os militares insatisfeitos com o Império.

Desde o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, os militares passaram a ter uma maior visibilidade no cenário político nacional. De uma simples e mal organizada instituição, o Exército passou a atrair os olhos de vários jovens provenientes de classes sociais menos abastadas. Apesar da vitória em terras estrangeiras, os salários e a própria carreira dos militares não eram alvo da atenção das autoridades monárquicas.

Com o passar do tempo, podemos ver que muitos militares passaram a assumir posições contrarias à manutenção do regime monárquico brasileiro. Do ponto de vista ideológico, vários militares já se mostravam simpatizantes ao positivismo. Segundo essa escola de pensamento, uma República forte, centralizada e orientada por princípios racionais representava o melhor dos sistemas de governo a ser seguido. Nesse aspecto, vemos mais uma das bases que fomentaram a oposição dos militares ao Império.

No ano de 1883, esse clima de oposição se tornou mais grave quando um grupo de oficiais atacou o governo por causa de um projeto de revisão da aposentadoria dos militares. Mediante as críticas, o governo recuou prevendo a anulação do projeto. Em contrapartida, vetou que os membros do Exército utilizassem dos meios de comunicação para atacar as instituições ou autoridades do Império.

Em resposta à reprimenda, o tenente-coronel Sena Madureira publicou um texto no qual saudava um jangadeiro cearense que se recusou a transportar escravos para um navio negreiro. Na verdade, ao elogiar o jangadeiro, o provocativo militar fazia um claro repúdio ao sistema escravocrata sustentado pelo Império. Em resposta, o governo impôs a transferência de Sena Madureira da capital para o Rio Grande do Sul.

No ano de 1886, o coronel Cunha Matos redigiu um texto no qual realizou uma série de críticas contra Alfredo Chaves, então ministro da Guerra. Imediatamente esse outro militar foi advertido e punido com uma detenção provisória. Nesse momento, um frenético debate sobre a manifestação dos militares na imprensa tomou corpo. Aproveitando do momento, Sena Madureira publicou um novo artigo onde denunciava a perseguição que vinha sofrendo.

Mais uma vez o ministro da Guerra exigiu que o subordinado fosse punido. Contudo, um grupo de oficiais de Porto Alegre – com a autorização do vice-presidente provincial, marechal Deodoro da Fonseca – fez um novo protesto em que questionava a lei que proibia o direito de resposta dos militares através dos meios de comunicação. Setores aliados ao império ficaram perplexos mediante o apoio que Deodoro da Fonseca, membro do Partido Conservador, cedeu aos seus companheiros de farda.

Entre 1887 e 1889, Deodoro da Fonseca se envolveu em reuniões com várias figuras defensoras do regime republicano. Entre elas destacamos Cunha Matos, Sena Madureira, Benjamin Constant e José Simeão. Em 1889, a subida do visconde de Ouro Preto ao cargo de presidente do gabinete imperial fez com que corressem novos boatos sobre a situação dos militares. Em suma, desconfiava-se que Ouro Preto pretendia dissolver o Exército e fortalecer a Marinha e a Guarda Nacional.

Nesse momento, vários republicanos aconselharam Deodoro que a simples mudança do ministério da Guerra não resolveria a situação. Convencidos, militares e republicanos arquitetaram um golpe para o dia 20 de novembro. Contudo, boatos de que o plano teria sido descoberto antecipou a ação dos conspiradores. Dessa forma, entre os dias 14 e 15 de novembro, um grupo de militares liderado por Marechal Deodoro derrubou o visconde de Ouro Preto e, logo em seguida, impôs o golpe a Dom Pedro II.

 

Por Rainer Sousa
Mestre em História

 

Fonte: Mundo Educação

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

O processo abolicionista no Brasil

 

Joaquim Nabuco, o principal representante do abolicionismo no Parlamento brasileiro

Joaquim Nabuco, o principal representante do abolicionismo no Parlamento brasileiro

A campanha cívica que pôs fim à escravidão no Brasil contou com a participação de vários setores da sociedade brasileira, à exceção dos grandes proprietários de terra – como os cafeicultores paulistas, que certamente perdiam com o fim da mão-de-obra escrava. É o que conta o historiador Marco Antonio Villa na entrevista que segue.

 

Como começou o movimento abolicionista do Brasil?

O abolicionismo foi um produto da década de 1880. Até então, o que havia eram tentativas emancipacionistas que queriam a extinção gradual do trabalho escravo, enquanto os abolicionistas desejavam a abolição total e imediata da escravidão.

 

Antes da lei áurea, a escravidão vinha perdendo força, não?

Sim. O primeiro golpe na escravatura foi a abolição do tráfico negreiro, ocorrido depois de 40 anos de pressões britânicas, através da lei Eusébio de Queirós, de 1850. Para os escravocratas, isso criou o problema de manter o trabalho compulsório sem o constante fluxo de mão-de-obra proveniente da África, devido à alta taxa de mortalidade entre os cativos causada pelas longas jornadas de trabalho, epidemias, castigos corporais e péssimas condições de alimentação e habitação.

 

Como os escravocratas resolveram esse problema?

Com o tráfico interprovincial. Entre 1850 e 1885, cerca de 150 mil a 200 mil escravos foram vendidos pelas províncias nordestinas para o sul cafeeiro. O comércio interprovincial aumentou devido à demanda sulista, mas também devido à crise da lavoura açucareira nordestina e os efeitos da seca de 1877-1879, que obrigou a venda de escravos em larga escala, acabando por se transformar em uma fonte de renda alternativa para a debilitada economia da região.

 

Houve outros fatores que favorecessem o emancipacionismo?

Sim, vários acontecimentos dos anos 1860. Por exemplo, a guerra do Paraguai, que se estendeu de 1864 a 1870. Milhares de escravos foram libertados para combater no lugar de seus proprietários. Além disso, houve a guerra civil americana, entre 1861 e 1865, que terminou com a vitória dos nortistas, favoráveis ao fim da escravatura. Houve a extinção da servidão na Rússia em 1861 e o fim da escravidão nos impérios francês e português. Tudo isso impulsionou o movimento emancipacionista aqui.

 

Os cafeicultores paulistas fizeram parte desse movimento?

É um equívoco associar os cafeicultores ao abolicionismo. Até as vésperas da abolição, o braço negro constituiu a base principal do trabalho nas fazendas de café. A introdução dos imigrantes europeus funcionou como uma fonte alternativa no fornecimento de força de trabalho, ocupou as brechas não preenchidas pelo trabalho escravo, que se tornava escasso e caro. A grande produtividade das terras da região permitiu aos fazendeiros paulistas adaptar-se mais rapidamente ao fim da escravidão, mas isso só ocorreu quando já não havia alternativa a não ser o trabalho livre.

 

Os cafeicultores eram a favor da escravidão. E quanto ao republicanismo?
O republicanismo teve pouca influência entre 1870 e 1885. A adesão de dom Pedro 2o à causa abolicionista abriu as portas a propaganda republicana, que começou a contar com o apoio dos conservadores. A relação entre os escravocratas descontentes com o apoio da coroa ao abolicionismo e o movimento republicano foi ficando cada vez mais estreita. A idéia republicana passa a simbolizar para os fazendeiros a possibilidade de manter seus privilégios de classe ameaçados pelo reformismo dos abolicionistas monárquicos, como Joaquim Nabuco e André Rebouças.

 

Joaquim Nabuco, aliás, merece destaque nessa história…
Certamente, a grande figura do movimento abolicionista, seu maior tribuno, foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888 foi o principal representante parlamentar dos abolicionistas. Excelente orador e polemista, escreveu vários libelos antiescravistas e buscou apoio na Europa para o movimento, transformando-se num de seus símbolos e no alvo predileto do ódio dos escravocratas.

 

Quem participava do movimento? Quem eram os abolicionistas?
Gente de várias classes sociais, inclusive das elites políticas, como Nabuco, gente que pretendia reformar a monarquia, ou intelectuais brancos, como o teatrólogo Artur Azevedo e o poeta Castro Alves, ou negros como o advogado Luís Gama ou o engenheiro André Rebouças, ou mestiços como o jornalista José do Patriocínio. O próprio exército, que se formou na guerra do Paraguai e que contou com colaboração dos escravos. Além disso, as classes médias urbanas que começavam a ter significado na sociedade brasileira, os estudantes universitários, que vão desenvolver inúmeras atividades em prol da abolição.

 

Você pode dar exemplos dessas atividades?
Em São Paulo, por exemplo, a Sociedade dos Caifazes, um movimento abolicionista radical, liderado pelo advogado Antonio Bento de Sousa e Castro especializou-se em incentivar e organizar fugas de cativos. Utilizaram-se das ferrovias que, ironicamente, foram construídas para racionalizar o transporte do café, ou seja, a economia escravista, transformando-as em instrumentos que acabaram com a organização do trabalho. Do Oeste paulista, os escravos eram levados para São Paulo e daí para Santos, onde organizaram um grande quilombo, o Jabaquara, com cerca de dez mil habitantes.

 

A partir daí, como as coisas ficaram?
A abolição transformou-se num caminho sem retorno, quando o exército, em outubro de 1887, manifestou-se em petição à princesa Isabel, solicitando dispensa de perseguir os escravos fugidos. No final de 1887, a maioria dos fazendeiros acabou por se converter ao abolicionismo, ou melhor, por se resignar a ele. Em 13 de maio de 1888, depois de tramitar na Câmara e no Senado, a lei que abolia a escravidão foi levada à sanção da Princesa Isabel, que então exercia a Regência no lugar do pai. Não se deve ignorar a importância da Lei Áurea, que libertou cerca de 700 mil escravos que ainda havia no país. Além disso, criou mais ressentimentos contra a monarquia, abrindo caminho para a República.

 

Quais as conseqüências da abolição para a monarquia?
A monarquia brasileira foi sabiamente aconselhada a pagar uma indenização aos proprietários de escravos, mas não levou em conta o bom conselho. Resultado: perdeu sua base de apoio. Até a fração mais “moderna” dos cafeicultores do Oeste Paulista passou a temer que o império realizasse reformas para obter apoio político da massa negra recém libertada. A necessidade de impedir qualquer alteração no status quo afastou os cafeicultores da monarquia e os jogou nos braços dos republicanos.

 

Fonte: Educação Uol

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A questão do Prata e a Guerra do Paraguai

Entre a independência e 1850, falar em relações internacionais do Império significa, em larga medida, falar de suas relações com a primeira potência do mundo capitalista, a Inglaterra, significa falar da coerção sistemática exercida pelos britânicos no sentido da extinção do tráfico internacional de escravos e, mais tarde, da pressão pela própria extinção da escravidão.
Tais ações inglesas chegaram mesmo até à vistoria e apreensão
de navios em águas territoriais brasileiras.
As relações entre o Império escravista subordinado e o Império capitalista dominante estabeleciam-se em terreno dominado por uma questão crucial para o primeiro e inerentemente excludente à natureza do sistema capitalista imperialista do segundo: o fim da escravidão.
Um mercado de livre comércio no plano mundial era um componente essencial da expansão imperialista inglesa. A livre circulação de mercadorias – a força de trabalho incluída – era sinônimo de barateamento de produtos importados pela Inglaterra e predomínio de suas mercadorias nos mercados consumidores. A extinção do tráfico em 1850 e, mais tarde, a questão Christie significaram uma certa estabilização nas relações dos dois países.
A Inglaterra mostrou-se satisfeita com os avanços obtidos, ao mesmo tempo que constatou
que ir além em suas pressões acarretaria praticamente uma situação não desejada de confronto com o governo imperial. Este, por seu turno, tampouco interessado no confronto, buscou assumir e dirigir o encaminhamento da questão da mão-de-obra, abandonando a política de concessões formais e manutenção real do tráfico e assumindo a necessidade de reformas que, ao final, resultariam no fim da escravidão. (…)Apenas no Paraguai, a unidade nacional e a estabilidade política, inicialmente sob a liderança de Francia e, mais tarde, sob o comando de Dom Carlos López, haviam sido atingidas logo após a independência.
Entre as lideranças caudilhas do restante da região emergiu, a partir do final da década de 1820, Juan Manoel Rosas. Tornando-se a figura exponencial das províncias Unidas do Rio da Prata, basicamente ambicionava a recomposição do antigo Vice-Reinado do prata sob seu controle. Neste sentido, interferia constantemente na política uruguaia e não reconhecia a independência paraguaia.
Por outro lado, teve que assegurar a soberania das Províncias Unidas contra as intervenções militares inglesa e francesa, que objetivavam a obtenção do maior número possível de vantagens comerciais na região. Nesse quadro, que resumimos de forma bastante esquemática, o Brasil tinha alguns interesses: (1) impedir a formação de um estado nacional forte e que unificasse o antigo Vice-Reinado do Rio da Prata; (2) assegurar a livre navegação pela bacia do Prata; (3) fazer valer determinadas reivindicações territoriais nas áreas de fronteira; (4) estar presente de forma marcante na política interna uruguaia; (5) garantir a não restauração da presença européia na região.
De um modo geral, foram esses mesmos objetivos que estiveram presentes na política brasileira no Prata nas décadas de 1850 e 1860. O que é característico do período anterior é que a ação brasileira não buscou sistematicamente a consecução desses objetivos. A política imperial oscilava, respondia a iniciativas que partiam, em sua maioria, principalmente de Rosas.
Ora alinhava-se com a ação dos diplomatas e navios ingleses e franceses, ora reagia positivamente às iniciativas de Rosas contra a presença dessas potências66, aceitando mesmo uma eventual aliança; mostrava uma postura de neutralidade que, entretanto, paulatinamente seria substituída por atitudes de hostilidade. (…)As razões para essa política imediata pouco clara – ainda que apoiada, como dissemos, em objetivos constantes – residiam, por um lado, na crescente tensão que se acumulava nas relações do Império com a Inglaterra no que diz respeito à questão do tráfico externo de escravos e, por outro, na instabilidade da política interna do Império. (…)Durante os anos 50, a Inglaterra prosseguiu com medidas de apreensão e com pressões sobre o governo brasileiro no que diz respeito às condições dos africanos escravos no território nacional, teoricamente livres.
Essas pressões culminaram em 1862 com a questão Christie. (…) O governo paraguaio poderia considerar – como de fato considerou – a conjuntura resultante do sucesso da intervenção militar brasileira no território oriental algo mais amplo que a mera deposição do governo blanco, hostil aos interesses brasileiros. A neutralização do Uruguai e os entendimentos entre Brasil e Argentina isolavam completamente o governo paraguaio. Toda a ação brasileira no decorrer da crise uruguaia mostrava claramente uma crescente disposição de nosso governo em resolver suas pendências no Prata pela via militar. O temor paraguaio de se tornar o próximo alvo brasileiro parecia bastante razoável.
Contudo, dois fatos são evidentes na situação como ela se apresentava naquele momento:
1. o Brasil não só não estava preparado para uma guerra como o Paraguai, como também não esperava que a reação de López se desse no campo militar – até mesmo por subestimação do poderio militar paraguaio e superestimação do valor militar da Marinha imperial;
2. a política externa de López tendia ao abandono do isolacionismo tradicional paraguaio e apostava na construção de um poderio militar para fazer valer seus interesses. A mediação de López no conflito civil argentino em 1859 e a construção de um poderoso exército são indicadores dessa mudança de rumo na política externa guarani. Mesmo que as vistas brasileiras estivessem se voltando cada vez mais para o Paraguai, não havia ainda uma iminência de guerra que justificasse a atitude paraguaia como uma ação militar defensiva.
A combinação de recursos diplomáticos, no sentido de romper seu isolamento e alertando para o perigo de uma hegemonia brasileira clara na região, e de uma atitude de firme oposição ao possível estreitamento do cerco brasileiro, sustentada num poderio militar razoável, era ainda um caminho possível e – arriscaríamos prever sobre fatos acontecidos – com maiores chances de êxito para López.
É fácil ver hoje que López, ao superestimar seu poderio militar, as contradições entre Brasil e Argentina e, particularmente, as contradições internas a este último país, arriscou em uma só cartada a sorte do Paraguai. Sua tenacidade e determinação, aliadas ao heroísmo quase sem limites do povo guarani, prolongando indefinidamente o conflito e resultando na extenuação do Brasil vitorioso, não permitem dúvidas sobre isso.
Em momento algum do conflito o Paraguai esteve perto da vitória, e após a derrota naval de Riachuelo, em junho de 1865, sua sorte estava selada. O fato é que, em 1865, o Brasil viu-se, em parte como resultado de sua política de busca de hegemonia no Prata, em parte devido à escolha paraguaia do caminho da resistência militar a essa política, envolvido numa guerra de proporções nunca antes – e tampouco posteriormente – experimentadas.
Por: DetetivesDaHistoria

5 heranças que nos foram deixadas pelos antigos romanos

 

Conheça alguns aspectos que fazem parte do nosso cotidiano, mas que tiveram a sua origem na Roma Antiga.

Existem incontáveis aspectos deixados pelas civilizações antigas que foram, pouco a pouco, sendo incorporados no nosso cotidiano. E os romanos, entre outros povos, foram responsáveis por deixar profundas marcas em nossas vidas. Mas, além da república, do direito civil, da arquitetura e urbanismo e do latim — que serve de base para vários idiomas, entre eles o espanhol, o francês e o português —, os romanos nos deixaram outras heranças.

O pessoal do site Quo.es reuniu algumas coisinhas com as quais estamos superacostumados no nosso dia a dia e que não provocariam muito espanto caso um romano antigo ressuscitasse hoje. Veja alguns exemplos:

 

Outdoors com moças de biquíni

Fonte da imagem: Reprodução/Quo.es

Na Roma Antiga já existiam os biquínis, como você pode ver no “outdoor” da imagem acima. Os trajes de banho, embora fossem um pouquinho maiores do que os utilizados na praias brasileiras, seguiam a mesma ideia das duas peças atuais, e provavelmente eram feitos de couro, em vez da confortável lycra. Já os mosaicos, como você bem pode imaginar, eram muito mais trabalhosos de se produzir do que os outdoors atuais!

 

Tropas de choque

Fonte da imagem: Reprodução/Quo.es

Sabe as temidas tropas de choque que são acionadas para trazer ordem durante manifestações violentas? Entre outros dispositivos, os guardas que compõem esses grupos contam com capacetes, escudos e cassetetes para se proteger e controlar a multidão.

Esses policiais são descendentes da antiga guarda pretoriana, que se encarregava de conter as revoltas urbanas com soldados armados com equipamentos bem parecidos aos dos guardas atuais. A diferença é que os antigos romanos usavam o gladium — uma espada curta — no lugar dos infames bastões de borracha.

 

O spa

Fonte da imagem: Reprodução/Quo.es

Os balneários e resorts modernos são uma herança dos antigos banhos e termas romanas. Tanto que a própria palavra “Spa” é uma abreviatura da expressão latinaAquae Spadanae, que serviu para que os romanos dessem nome a uma cidade belga conhecida pelas suas águas termais e que até hoje é um popular destino turístico da Europa.

 

A figa

Fonte da imagem: Reprodução/Quo.es

O popular amuleto que hoje é utilizado para espantar a má sorte e o mau olhado também foi invenção dos antigos romanos, embora tivesse um significado um poucodiferente. Na verdade, o sinal que traz o polegar posicionado entre o dedo indicador e o médio servia para representar a genitália feminina. E, além de estar relacionado com a fertilidade e ao erotismo, aparentemente ele era um símbolo muito apreciado por Calígula.

 

A linguagem usada nos SMS

Fonte da imagem: Reprodução/Quo.es

Segundo o pessoal do Quo.es, a desconstrução da linguagem, observada no popular e sempre crescente vocabulário utilizado na hora de enviar mensagens de texto — como “vc”, “tb”, “bj” etc. — não é uma exclusividade da nossa era. Algumas inscrições, como a da imagem acima, descoberta na Espanha, é prova de que os antigos romanos também costumavam omitir alguns caracteres na hora de transmitir os seus recados.

 

FontesQuo.es e Mega Curioso

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Sabinada

 

 

Revolta da Sabinada na Bahia

 
A independência oficial do Brasil, prevalecendo sobre a libertação sonhada pelos patriotas – para usar uma palavra em voga na época – frustrou grande parte da população. A independência oficial sedimentou uma estrutura econômica e política herdada da Colônia, pouco alterando a situação das massas e, por adotar um centralismo autoritário, pressionava também o sistema político nas províncias. A oportunidade perdida de democratizar a prática política, de um lado, e a insistência em manter inalterado o instituto da escravidão, de outro, praticamente fizeram aflorar todo o anacronismo do Estado brasileiro, provocando várias reações. Entre elas a Sabinada, na Bahia, e a Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

O movimento

No decorrer do ano de 1837, difundiram-se boatos de levante e rebelião em Salvador. O poder central do Rio de Janeiro foi informado da ameaça de uma rebelião em maio, pelo presidente da província, Sousa Paraíso. O Novo Diário da Bahia, publicado pelo do médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, pregava abertamente a revolução, e os “clubes” revolucionários atuavam sem restrições.

No início de novembro várias denúncias chegaram às autoridades, mas Sousa Paraíso limitou-se, no dia 4 de novembro, a alertar os baianos contra os “desorganizadores” que pretendiam a separação da Bahia.

Finalmente, a rebelião longamente denunciada eclodiu no dia 6 de novembro de 1837.

Às oito horas da noite desse dia, os líderes, entre eles Sabino, dirigiram-se ao Forte de São Pedro.

O presidente da província, Paraíso, e o seu Comandante das Armas, Luís França, que até então não haviam tomado nenhuma medida, perderam rapidamente o controle da situação. As tropas foram aderindo aos rebeldes e ambos se viram obrigados a fugir.

Na manhã do dia 7, os rebeldes dirigiram-se à Câmara Municipal de Salvador e convocaram uma sessão extraordinária. Nela apresentaram um documento que declarava a independência da Bahia. Nomeava-se como presidente Inocêncio Rocha Galvão, um advogado que se exilou nos Estados Unidos, acusado de ter participado do assassinato do Comandante das Armas em 1824. Era uma nomeação simbólica, pois Inocêncio Rocha Galvão não voltou à Bahia.

A presidência foi entregue ao vice, João Carneiro da Silva Rego; Sérgio José Veloso assumiu o cargo de comandante das Armas e Sabino ficou como secretário de governo.

Logo no início, dois acontecimentos começaram a atuar contra os rebeldes:

1) Comerciantes portugueses e pessoas ricas deixaram Salvador com seus bens, seguidos pelos funcionários públicos, que levaram consigo as chaves dos cofres e das repartições.

2) Paraíso, o presidente deposto e refugiado no Recôncavo, pediu e recebeu o apoio de Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, tenente-coronel e poderoso senhor de engenho, que traçou os planos que seriam seguidos para sufocar a rebelião. Em seguida, Paraíso renunciou e foi substituído por Antônio Pereira Barreto Pedroso, que assumiu o comando da repressão em 19 de novembro.

A partir do dia 13 de novembro, os legalistas começaram a colocar em prática os planos. O governo expulso de Salvador se recompôs na vila de São Francisco, e Cachoeira foi escolhida para sediar a justiça. A força militar foi recrutada na Guarda Nacional do Recôncavo e se concentrou em Pirajá, e no final de novembro, 1200 homens já estavam acampados na região. Com a ajuda de famílias ricas, unidades de combate foram recrutadas em seus domínios e equipadas à sua custa; o arcebispo da Bahia, D. Romualdo Seixas, transferiu-se para Santo Amaro. Foi ordenado o bloqueio naval de Salvador, que se concretizou já na segunda semana de dezembro. O novo presidente da província, Barreto Pedroso, criou destacamentos em vários municípios para impedir a difusão da Sabinada e evitar o sempre temido levante de escravos.

Enquanto isso o êxodo de Salvador continuou, sem interferência dos rebeldes, que ainda não haviam sentido os efeitos do bloqueio que tinha por objetivo sufocá-los economicamente. A rebelião não se expandiu para outras regiões da província e Salvador ficou isolada. No último dia de novembro, com um contingente não superior a 2 mil homens, os rebeldes atacaram posições legalistas, mas foram repelidos.

No dia 2 de dezembro o aniversário do futuro D. Pedro II foi comemorado pelos legalistas e, curiosamente, também pelos rebeldes, em Salvador. Ao longo desse mês, os efeitos do bloqueio começaram a ser sentidos em Salvador: escassearam farinha de trigo e de mandioca.

Em contraste, os legalistas que dominavam o Recôncavo recebiam abundantes auxílios do Rio de Janeiro e de outras províncias e organizavam ativamente o ataque, aguardando o momento oportuno. A falta de iniciativa dos rebeldes e o tempo contavam a favor dos legalistas.

Essa falta de iniciativa devia-se, aparentemente, à indefinição dos rebeldes em relação aos objetivos de seu movimento. Embora decretassem a separação, os rebeldes comemoraram o aniversário do futuro imperador. De fato, esse era um ponto bastante estranho, mas, entre os rebeldes, havia os que defendiam a separação apenas enquanto durasse a menoridade do imperador. Deve-se observar também que, uma vez no poder, os rebeldes começaram a agir como qualquer governo normalmente empossado. Em fevereiro de 1838, quando a falta de gêneros alimentícios começou a atingir duramente toda a população, os rebeldes baixaram um decreto aumentando os salários do presidente e de seus ministros, já que os vencimentos anteriores, bastante módicos, foram considerados incompatíveis com a “dignidade” (conforme expressão do próprio decreto) dos cargos.

Os rebeldes conduziam-se, portanto, como governo e não como revolucionários. E isso foi notado por João da Veiga Murici, um professor que se transformara, com a rebelião, em tenente e secretário da Artilharia. Dizia ele: (…) este governo, operando em uma pensada revolução, só quer marchar restrito às leis antigas, como se estas não fossem proscritas pela revolução, e desta forma ficando no status quo (…) donde certamente virá resultar o cair por terra o edifício revolucionário, e de nada valerem as observâncias de legalidades. E disse mais: a partir deste fundamental princípio – [de] que a lei da revolução é tudo aquilo que tende a fazê-la prevalecer, e por isso não há agora legalidades, antigas contemplações, escrúpulos, divisão de poderes, economias expendiosas contra o sagrado progresso da causa.

Os rebeldes chegaram mais perto desse espírito revolucionário em fevereiro de 1838, quando confiscaram os bens dos que haviam fugido de Salvador para o Recôncavo e jogaram nas prisões os portugueses. No último decreto dos revoltosos, datado de 19 de fevereiro, prometeu-se alforria (liberdade) para os escravos nascidos no Brasil que se alistassem nas tropas, indenizando seus proprietários. Por fim, nos dias 17 e 18 de fevereiro, os rebeldes lançaram uma ofensiva. O combate durou trinta e cinco horas e, novamente, foram derrotados.

Na ocasião, já era visível a desmoralização das forças rebeldes, nas quais reinava a mais completa indisciplina. A ofensiva legalista que começou em 12-13 de maio não encontrou dificuldade em entrar finalmente em Salvador e derrotar, definitivamente, os rebeldes. Na dia 17, o presidente da província, Barreto Pedroso, chegou a Salvador e Sabino foi preso no dia 22 de maio. Haviam sido mortos 1258 rebeldes e 2 989 foram aprisionados.

Os rebeldes presos foram julgados e os principais, condenados à morte. Porém, com a antecipação da maioridade de D. Pedro II, os condenados foram anistiados e postos em liberdade, mas proibidos de permanecer em Salvador. Sabino foi obrigado a transferir-se para Goiás, onde continuou politicamente ativo.

Para alguns historiadores parece estranho que um movimento como a Sabinada, que não chegou a apresentar o perigo de autonomia popular como a Cabanagem, por exemplo, tenha merecido tão violenta repressão. Bem mais violenta que a dedicada aos farrapos, que ameaçaram mais gravemente a coesão do Império. Porém, se na Sabinada não houve a mesma participação popular da Cabanagem, nem o vigor da Farroupilha, ela foi m uito mais nítida ideologicamente.

As idéias que a nortearam, quase todas da Revolução Francesa, eram veiculadas nos jornais por intelectuais competentes, dentro de uma tradição retórica que ensaiava impor-se na práxis política. Com os farrapos era possível um acordo, mas com os sabinos era diferente: eles tinham convicção ideológica. Talvez a “vingança” se explique pela perda de controle dos líderes sobre os setores mais “franceses” da insurreição. No decorrer da luta surgiram correntes agredindo a aristocracia, divulgando na imprensa suas perigosas idéias. Estas idéias são bem marcadas num dos hinos publicados:

– Defende o altar e o trono
– Derruba a aristocracia

Porém essa confusão ideológica – altar e trono sem aristocracia – não significa ascensão do povo. É uma reação contra o apoio que a aristocracia baiana deu ao Império, fornecendo gente para sufocar a rebelião. Nem por isso deixou de assustar as classes dominantes, que agiram para “cortar o mal pela raiz”.

 

Fonte: Passei Web

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A Revolta dos Balaios, mais conhecida como Balaiada

 

A ‘revolta dos balaios’ – ocorrida no Maranhão durante o período de 1830 a 1841 – resultou em mais uma manifestação do processo de crise por que passava a sociedade brasileira durante o período regencial.
Na época do movimento, a província contava com aproximadamente 200 mil homens, dos quais 90 000 eram escravos e outra grande parte formada de sertanejos ligados à lavoura ou à pecuária.


“Retirantes” de Candido Portinari
Herdando uma estrutura social gerada, em fins da época colonial na produção do algodão, a região encontrava-se, nesse momento, econômica e socialmente instável. A produção algodoeira, fundando-se apenas em razão de condições internacionais – guerra de Independência dos Estados Unidos, Revolução Industrial etc. -, declinou paralelamente ao desaparecimento dos acontecimentos externos favoráveis à economia exportadora .

Base social necessária para o funcionamento dessa economia, a massa de escravos negros constituía um enorme contingente, populacional que, não raras vezes, apresentou sinais de rebeldia, aquilombando-se nas matas, “de onde saíam para surtidas rápidas e violentas sobre propriedades agrárias “. O grande contingente de homens livres, disperses pelo Maranhão e com formas rudimentares de divisão do trabalho, deveu-se basicamente à pecuária extensiva.

O caráter mesmo dessa atividade, na região, possibilitou o crescimento vegetativo normal da população que, em épocas de retração da economia, dedicava-se à subsistência. Será o caráter de sua participação no movimento – aliada à dos negros – que dará à Balaiada uma configuração especial dentre as mobilizações ocorridas no período.

Se a rebeldia desses grupos já possibilitara sua participação como braço armado durante os conflitos ocorridos pela época da independência, na revolta dos balaios, a participação de negros e homens livres (sertanejos) adquire caráter próprio, escapando ao controle das disputas partidárias.
Em nível das camadas dominantes, o quadro da região não difere das demais, na época. “A política da Província era regulada pelos Bentevis (liberais) e Cabanos (conservadores), seguindo os moldes do revezamento de partidos, adotado durante o período imperial.

Algumas crises, estabelecidas sobre o quadro de ‘rotatividade de elites’ no poder, eram seguidas – ou precedidas conforme o caso, de agitações locais, envolvendo geralmente as camadas populares corno instrumento de luta.”.
Os conflitos ocorridos entre tais grupos – que também podem ser observados através dos jornais por eles encabeçados – teriam se acirrado com a votação da lei dos prefeitos pelo legislativo, sob a presidência do cabano Vicente Pires de Camargo.

Tal medida visava a um maior controle da província pelo partido dominante, através de poderes legados aos prefeitos.
O fato com que se costuma marcar o início da revolta ocorreu quando Raimundo Gomes – um vaqueiro que administrava a fazenda do Padre Inácio Mendes (bentevi) passava pela vila do Manga levando uma boiada para ser vendida em outra localidade.

O subprefeito da vila, José Egito, cabano e adversário político de Padre Mendes, baixa uma ordem para o recrutamento de alguns homens que acompanhavam Gomes e também para a prisão do irmão do vaqueiro. Reagindo, Raimundo Gomes assalta a cadeia e foge para Chapadinha. Irrompidas as agitações populares concentradas, num primeiro momento, na coluna de Raimundo Gomes, o aparecimento de manifestações em outras regiões passa a ser freqüente. Delas tentará se aproveitar o partido bentevi.

Entretanto, “o movimento, ampliando-se, seja no raio de ação geográfica, seja no quantitativo dos que a ele vieram trazer a sua participação,”não possuía as características simplistas de mais um pronunciamento de políticos desejosos de poder” Nesse sentido, vale lembrar a participação de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, construtor e vendedor de balaios, “daí ser chamado ‘Balaio’, nome que passaria ao movimento”, bem como a do preto Cosme, que se colocou à frente de três mil negros rebolados.
Um ofício que Caxias, então no comando da repressão à Balaiada, envia ao Ministro da Guerra em 5 de março de 1840, permite observar o caráter adquirido pelo movimento: “A opinião geral é que as eleições, e só as eleições deram origem às dissensões dos dois partidos conhecidos com as denominações de Cabanos e Bentevis; os segundos perseguidos pelos primeiros, que tinham apoio na Assembléia Provincial e, desgraçadamente no Governo de então, influíram no interior no rompimento da revolta; mas hoje nada há de comum entre os rebeldes salteadores e as opiniões políticas dos denominados Bentevis, que sofrem como os Cabanos grandes perdas nas suas Fazendas, e que se prestam para a pacificação da Província.”
Nessa medida, adotando o sistema de guerrilhas e atacando as propriedades através de emboscadas, as ações e os objetivos dos balaios – certamente não muito claros para eles próprios – deixam de ser incorporados por quaisquer dos dois partidos em disputa.
O número de adesões crescia nas regiões de Tutóia, Vargem Grande, Coroatá e Brejo, seguidas de freqüentes choques com as forças repressoras. A mobilização atinge grande parte da província. Em 1839, “a 24 de março, apresentavam-se às portas de Caxias, segunda cidade da província em importância. Depois de um cerco de sete dias, tomaram a cidade, fazendo valiosa presa. O pânico alastrava-se pela província e ameaçava a capital …”
Em Caxias, os rebeldes intentaram uma primeira forma de organização política da qual participaram os elementos bentevis da cidade.

A participação desses elementos certamente serviu para conter as propostas mais radicais. Assim, em seu curto espaço de duração, esse conselho “limitou-se tão-somente a providências de caráter militar e de emergência , e a mandar a São Luís uma delegação a fim de se entender com o presidente da província”.
As propostas enviadas pela delegação e que sintetizavam os objetivos básicos do conselho resumiam, em última instância, apenas proposições liberais dos bentevis que, como partido da camada dominante, não desejava mudança alguma que pudesse abalar a estrutura social da província.

Só nesse quadro podem ser compreendidos o reconhecimento da soberania do império e a exigência de expulsão dos portugueses e da restrição dos direitos dos adotivos – motivos que percorreram todas as agitações partidárias dos movimentos de independência – movimentos com caráter eminentemente de classe dominante.

De qualquer forma, frente ao vulto adquirido pelo movimento que atinge as Províncias do Ceará e Piauí, é nomeado para reprimir a rebelião o Coronel Luís Alves de Lima e Silva, que obtém não só o comando das armas como também a função de presidente da província. “Em Brejo, registrou-se a primeira grande derrota dos ‘balaios’ . Seguiu-se a dispersão deles que, penetrando no Piauí, com Raimundo Gomes, não alcançaram ali qualquer sucesso.”

A direção final do movimento ficou praticamente em mãos do preto Cosme, “Tutor e Imperador das Liberdades Bem-te-vi.” Utilizando-se do recurso da anistia, o governo imperial consegue, em 22 de agosto de 1840, a rendição de muitos rebeldes…
as partidas volantes e concedendo anistia aos chefes sob a condição de ajudarem na perseguição dos que continuavam rebolados, a repressão, assim montada por Caxias, conseguiu acabar com o movimento que povoou a Província do Maranhão até 1841.

Vale lembrar que a repressão à Balaiada marcaria o início da chamada “pacificação” através da qual Caxias sufocou as freqüentes agitações que perpassaram a sociedade brasileira durante o império.

 

Fonte:  História Net

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

A Cabanagem

 

Entre os principais conflitos do período regencial, a Cabanagem ganha especial destaque em função de sua trajetória de caráter popular. Na região, que hoje compreende as regiões do Pará e do Amazonas, a economia vivia em função de atividades extrativistas e o cultivo de culturas de cacau, algodão, tabaco e arroz. Além disso, a cidade de Belém estabelecia-se enquanto ponto maior das atividades comerciais controladas por portugueses e britânicos.

 

 

Na época, a estrutura econômica excludente e dependente da agricultura agro-exportadora concebia um cenário de desolação sócio-econômica das camadas populares. Ao mesmo tempo, a distância e a falta de assistência do governo central gerava um clima de animosidades por parte das esferas de poder local. Nesse contexto, temos um primeiro episódio conflituoso, quando em 1832 os paraenses pegam em armas para impedir a posse de um governador nomeado pelo governo regencial.

Resistindo à insatisfação dos paraenses, a regência nomeou o conservador Bernardo Lobo Sousa para governar o Grão-Pará. Impondo uma política essencialmente repressora, Bernardo Lobo perseguiu sistematicamente aqueles que oferecessem qualquer tipo de ameaça à sua autoridade. Tamanha inflexibilidade somente aumentou as tensões internas, que viriam a eclodir tempos depois.

No ano de 1835, um grupo de revoltosos tomou a capital Belém de assalto e assassinou o então governador da província. Nesse momento, lideranças da elite e das camadas populares surgiram com certa expressão. Resistindo ao movimento das forças regenciais, os cabanos entregaram o poder nas mãos do fazendeiro Félix Antônio Malcher. Em pouco tempo, as reivindicações mais profundas dos populares instigou a saída dos grandes proprietários desse movimento.

A partir de então, o comando da Cabanagem cai nas mãos dos Irmãos Vinagre e do seringueiro Eduardo Angelim. No meio tempo em que a rebelião se reorganizava, o governo regencial enviou tropas lideradas pelo mercenário inglês John Taylor. A vitória das forças oficiais não veio a se estabelecer de forma plena. Comandando mais de 3 mil populares, Eduardo Angelim conseguiu reaver o controle da capital paraense.

A chegada de Angelim ao poder dava pistas de uma vitória do levante popular. No entanto, a ausência de outras províncias participantes e a instabilidade política dos poderes instalados acabou esfriando o potencial revolucionário do movimento. No ano de 1839, a Cabanagem chegava ao seu fim com um trágico saldo de 30 mil mortos.

 

Fonte: Mundo Educação

 

Por: DetetivesDaHistoria

 

Invenção da Semana – o Raio X

 

A invenção desta semana é um célebre aparelho, revolucionário da medicina, propiciou a humanidade “ver como os super heróis”, ajudou em muito no tratamento de fraturas e vários outros tipos problemas de saúde, enfim, a invenção desta semana é o Raio X.

 

 

O raio X é um tipo de radiação eletromagnética com frequências superiores às radiações ultravioletas, ou seja, maiores que 1018 Hz. A Descoberta do raio X e a primeira radiografia da história ocorreram em 1895, pelo físico alemão Wilheelm Conrad Rontgen, fato esse que lhe rendeu o prêmio Nobel de física em 1901. Foi durante o estudo da luminescência por raios catódicos num tubo de Crookes que Conrad descobriu esse raio. A denominação “raio X” foi usada por Conrad porque ele não conhecia a natureza da luz que ele tinha acabado de descobrir, ou seja, para ele tratava-se de um raio desconhecido.

Os raios X são obtidos através de um aparelho chamado de Tubo de Coolidge. Esse é um tubo oco, evacuado e que contém um cátodo em seu interior. Quando esse cátodo é aquecido por uma corrente elétrica, que é fornecida por um gerador, ele emite grande quantidade de elétrons que são fortemente atraídos pelo ânodo, chegando a este com grande energia cinética. Quando eles se chocam com o ânodo, transferem energia para os elétrons que estão nos átomos dos ânodos. Os elétrons com energia são acelerados e então emitem ondas eletromagnéticas que são os raios X.

Através de estudos sobre os raios X, Rontgen verificou que os mesmos têm a propriedade de atravessar materiais de baixa densidade, como os músculos, por exemplo, e são absorvidos por materiais com densidades mais elevadas como, por exemplo, os ossos. Foi em razão dessa descoberta que esses raios passaram a ser largamente utilizados para realização de radiografias. Hoje o raio X possui vasto campo de aplicação, além da aplicação nas radiografias. São utilizados, por exemplo, no tratamento de câncer, na pesquisa de estrutura cristalina dos sólidos, na indústria e em muitos outros campos da ciência e da tecnologia.

Os raios X propagam-se com a velocidade da luz e, como qualquer outra onda eletromagnética, esses raios estão sempre sujeitos aos fenômenos da refração, reflexão, difração, polarização e interferência.

 

 
Vale lembrar que, assim como outras coisas, esse raio possui ações benéficas e maléficas. A exposição demorada desse raio no corpo humano pode causar sérios danos à saúde como, por exemplo, lesões cancerígenas, morte de células, leucemia, entre outros.

 

Fonte: Brasil Escola

 

Por: DetetivesDaHistoria